domingo, 28 de agosto de 2011

Charles Henry Mackintosh

 
Charles Henry Mackintosh
(1820-1896)

Charles Henry Mackintosh, cujos iniciais "C.H.M." são bem conhecidos por muitos cristãos no mundo inteiro, nasceu em outubro de 1820 em Glenmalure Barracks no condado de Wicklow, Irlanda. O seu pai era capitão e servira no "Highlanders' Regiment" na Irlanda. A sua mãe era a filha de Lady Weldon e procedia de uma antiga família natural da Irlanda. A idade de 18 anos, o jovem experimentou um despertamento espiritual mediante cartas escritas por sua irmã após a conversão dela. Recebeu a paz por meio da leitura do escrito de John Nelson Darby "As operações do Espírito Santo". Se tornou especialmente importante para ele o fato de que a base da paz com Deus não é a obra de Cristo em nós, mas para nós.

Enquanto jovem cristão, aceitou emprego uma loja em Limerick. Lia muito na Palavra de Deus e se ocupou assiduamente com diversos estudos. No ano de 1844, abriu uma escola particular em Westport e, com grande zelo, se ocupou do trabalho educativo. A sua postura espiritual foi caracterizada pelo desejo de dar a Cristo o primeiro lugar em sua vida, sem limitação alguma, e de considerar a obra dEle como a coisa principal. Quando, porém, notou em 1853 que o trabalho na escola o ocupou de tal forma que temia ele se tornar em seu interesse principal, desistiu desse serviço. Na seqüência, foi a Dublin onde entrou em contato com John Gifford Bellet e outros irmãos. Na época começou a anunciar a Palavra de Deus publicamente tanto a crentes como a incrédulos.

Nessa época já começara a escrever os seus pensamentos sobre os cinco livros de Moisés — o Pentateuco. Nos próximos anos, subseqüentemente, apareceram estudos sobre todos os cinco livros do Pentateuco. Esses livros, caracterizados por um espírito fortemente evangelístico, passaram a ser publicados em altas tiragens nos anos seguintes. O seu amigo Andrew Miller escreveu para esses volumes um prefácio, onde diz com toda a razão: "A total perversão do ser humano por meio do pecado e a perfeita salvação de Deus em Cristo são apresentadas pormenorizada, clara e precisamente".

Como interpretador C. H. Mackintosh possuía um estilo de fácil compreensão. Sabia expressar os seus pensamentos poderosamente. Algumas de suas interpretações talvez, à primeira vista, tenham aparecido estranhas a muitos salvos, porém foram de grande ajuda a muitos leitores até hoje, por causa de sua fidelidade à Palavra de Deus e confiança em Cristo.

Além de seu ministério de escritor, também anunciara e defendera há muitos anos o evangelho e a verdade cristã, e Deus claramente reconhecia o seu serviço. Quando a Irlanda experimentou um grande movimento de despertamento nos anos 1859 a 1860, também ele estava presente na ativa. Os primeiros volumes anuais de sua revista "Things New and Old" ("Coisas Novas e Velhas") contêm muitos testemunhos dessa atividade. C. H. Mackintosh iniciara essa revista mensal em 1858 em conjunto com o seu amigo Andrew Miller. Durante décadas era uma fonte de ensino e edificação para crentes. Alguns dos artigos contidos nela foram traduzidos e publicados no "Botschafter des Heils in Christo" ("Mensageiro da Salvação em Cristo" — revista alemã). No ano de 1880, C. H. Mackintosh passou a sua atividade de editor da revista "Things New and Old" para Charles Stanley, que foi colaborador até o ano 1890.

C. H. Mackintosh era um grande homem de fé sempre pronto para testemunhar que Deus o levava muitas vezes a provas, porém nunca o deixou passar necessidade, enquanto estava Lhe servindo no serviço do evangelho sem alguma renda de trabalho material.

É difícil avaliar as conseqüências de seus escritos. Cartas de todos os lugares do mundo chegaram até ele, expressando gratidão e reconhecimento de suas explicações sobre o Pentateuco. Dwight L. Moody e C. H. Spurgeon confessaram que deviam muitas coisas aos escritos de C. H. Mackintosh. Moody escreveu: "C. H. Mackintosh tinha a maior influência sobre mim".

Assim como "As notas sobre o Pentateuco", também os seis volumes "Miscellaneous Writings" ("Escritos Mistos"), sempre têm sido reeditados. É um fato interessante na vida de C. H. Mackintosh, que o seu primeiro escrito portava o título "A Paz de Deus" e que poucos meses antes de seu falecimento enviou um manuscrito ao seu editor com o título "O Deus da Paz".

Os últimos quatro anos de sua vida, passava em Cheltenham, de onde continuava o seu ministério escrito mesmo tendo que parar com o seu ministério de pregação oral devido à idade. Em 2 de novembro de 1896 partiu em paz para estar com o Seu Senhor. Quatro dias depois, ele foi sepultado ao lado de sua querida esposa com participação de muitos. Dr Walter T. P. Wolston de Edinburgh falou, baseado em Gênesis 25:8-10 e Hebreus 8:10, sobre o sepultamento de Abraão. Para finalizar, os reunidos cantaram o belo hino da autoria de John Nelson Darby:

"O bright and blessed scenes, 
Where sin can never come; 
Whose sight our longing spirits weans 
From earth where yet we roam."

A tradução literal é:

"Ó cenas brilhantes e abençoadas,
Em que pecado nunca pode entrar;
Cuja visão os nossos espíritos desejosos 
afasta dessa terra, 
pela qual ainda estamos viajando."

Os livros de C. H. Mackintosh:

Coleção de Estudos sobre o Pentateuco
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio vol. 1 e 2
Está Difícil
A Unidade do Povo de Deus
A Ceia do Senhor
A Vinda do Senhor



 
 

William Joseph Lowe

 
William Joseph Lowe
(1838 - 1927)

William Joseph Lowe nasceu em 1838 como filho de pais tementes a Deus que pertenciam a igreja inglesa oficial do estado (Igreja Anglicana). Já enquanto ainda criança se manifestaram os grandes talentos que o caracterizavam mais tarde como adulto. Durante o seu tempo de escola, três de seus professores eram irmãos bastante conhecidos: James George Deck, poeta apreciado (dele é o hino 137 na "Pequena Coletânia de Hinos Espirituais",   hino   19   do   hinário   português   "Hinos Espirituais"), que mais tarde emigrou para Nova Zelândia; havia William Hake, um amigo de Robert Cleaver Chapman de Barnstaple; e finalmente havia nos seus últimos anos escolares Henry Soltau, de quem recebeu diversos ensinos bíblicos. No colégio de Ealing recebeu uma condecoração de alto nível; ganhou a medalha de prata por causa de seus conhecimentos em grego, latim, francês, alemão, geometria e álgebra.

Chegou a crer no Senhor Jesus como adolescente e foi recebido na comunhão à Mesa do Senhor. Depois de seus anos de escola, cursou ciências de engenharia em Londres. No ano de 1859 conseguiu uma boa colocação em Madras na Índia na área da construção de instalações de irrigação. Na condição de um jovem de 23 anos teve que supervisionar milhares de operários. Já ali manifestou o seu grande amor ao povo de Deus pelo fato de ter editado ali durante a sua curta estadia uma revista de edificação para crentes. Dessa ainda existem três volumes.

A sua saúde, porém, não suportava bem o clima tropical. Baseado em conselho médico, tinha que renunciar à sua colocação e voltar à Europa. Em 1864, William J. Lowe foi à Suíça, para se recuperar e melhorar os seus conhecimentos do francês. Ele pensava em eventualmente servir ao Senhor em meio da população de fala francesa de Québec no Canadá.

Durante esse período, John Nelson Darby estava na França, para, junto com alguns irmãos, traduzir a Bíblia ao francês na cidade de Pau. Algumas impressões destinadas à correção, por uma caso, pararam nas mãos de William J. Lowe e ele as verificou. Viu ali algumas insuficiências e fez algumas propostas valiosas de melhora. J. N. Darby se surpreendeu com elas e foi impressionado de tal forma que lhe disse: "O senhor é exatamente a pessoa da qual temos necessidade aqui; o senhor deve ficar agora e nos ajudar". Assim se iniciou uma amizade e comunhão no serviço com J. N. Darby que permaneceu até o falecimento desse em 1882. Mais tarde, Darby muitas vezes disse que não conhecia a ninguém que tivesse um tal conhecimento geral e ao mesmo tempo de todos os detalhes da verdade como W. J. Lowe.

Naqueles dias, W. J. Lowe era conhecido melhor nas conferências no exterior do que na Inglaterra, porque estava quase ininterruptamente de viagem. Conhecia assembléias na Bélgica, França, Alemanha, nos Países Baixos, na Espanha e na Suíça; algumas delas eram fruto do próprio trabalho dele. Também visitou por diversas vezes os Estados Unidos e o Canadá. Via sua tarefa principal no ministério da Palavra. Por isso se dá que hoje possuímos apenas poucos testemunhos de seu ministério escrito. Contudo, em 1873 fundou a revista mensal em francês "Le Salut de Dieu" ("A Salvação de Deus"). Para essa revista escreveu alguns artigos até que foi assumida por Dr. Elie Périer.

No dia 15 de setembro de 1885 ele se casou com Ellen McAdam, já numa idade bastante madura. Ele tinha um relacionamento de amizade com o pai dela, Christopher McAdam de Notting Hill. A "lua de mel" os dois passaram em Dillenburg. No caminho para lá, W. J. Lowe visitou algumas igrejas nos Países Baixos e assim chegaram somente no dia 19 de setembro a Dillenburg. Também ali o tempo era repleto de pregações, visitas e reuniões, inclusive uma conferência dos irmãos em Elberfeld durante quatro dias. Depois que faleceu o seu sogro Christopher McAdam, W. J. Lowe assumiu o trabalho dele na vinha de Deus, principalmente a distribuição dos donativos para os trabalhadores na obra do Senhor no exterior e a publicação dos "Letters of Interest" ("Cartas de Interesse"; ou seja comunicações a respeito da obra do Senhor). Essa atividade ele cumpriu durante quase 40 anos. Colocou-o em contato com filhos de Deus no mundo inteiro e requeria bastante correspondência, para a qual era de forma especial preparado; diz-se que falava dez ou onze idiomas.

Sempre o seu interesse especial era voltado para a juventude. Quando visitou J. N. Darby no dia 2 de abril de 1882 em Bornemouth durante a última enfermidade desse, ele escreveu em seu diário: "tarde — J.N.D tomou a minha mão e me puxou para si, para me beijar e me agradeceu de forma bastante cordial pela longa colaboração. Disse: 'Trabalhamos juntos e nos alegramos juntos. Deus te abençoe!'. Então, um minuto mais tarde: 'Ocupa-te com os irmãos mais novos e dirija os corações deles a Cristo'." — Teve uma força especial de atração para os mais jovens por causa de seu caráter sério, porém sociável e comunicativo, embora tivesse o costume de fazer-lhes perguntas pessoais e por vezes — como disseram — "desconfortáveis". Isso ele fez com a única intenção de despertar-lhes o interesse por toda a Palavra de Deus.

W. J. Lowe tomou uma posição firme e clara nas dificuldades sérias quanto às heresias de F. E. Raven por volta de 1890. Lutou contra as doutrinas falsas dele tanto de forma escrita como também em muitas conversas pessoais com Raven e os amigos dele. Também durante as dificuldades em Tunbridge Wells no ano 1909 ele desempenhou um papel fundamental pela sua defesa da verdade. A sua simplicidade e dependência da direção do Senhor se expressou especialmente em questões tocantes as igrejas locais. Ele deu grande valor ao fato de que as consciências de todos os envolvidos em alguma questão fossem alcançadas e tocadas por Deus, e que tivessem consciência de sua responsabilidade pessoal em cada ato da igreja. Não queria que agissem de forma mecânica e acompanhassem a maioria. As palavras "administração" e "organização" lhe eram uma abominação, quando se fez uso das mesmas para regulamentar o comportamento da igreja — seja influenciado por fora ou por dentro. Sabia dar o devido valor a essas expressões quando adequadamente empregadas, mas as temia nas igrejas, porque por elas, conforme a sua opinião, os exercícios pessoais de cada consciência foram desconsiderados e introduzidos métodos humanos de auxílio. Pelo emprego desses conceitos a operação do Espírito Santo é indubitavelmente limitada ou até mesmo extinta, especialmente quando se trata da solução de dificuldades nas igrejas. Segundo a sua percepção o Senhor muitas vezes permite tais dificuldades, para educar os crentes espiritualmente e firmar os corações deles na verdade de um modo que seria impossível de outra maneira.

Nos últimos anos a força mental de W. J. Lowe diminuiu bastante. No dia 29 de setembro de 1927 ele faleceu em Wimbledon.

Julius Löwen

Julius Löwen
(1822-1907)


Julius Löwen nasceu em 31 de julho de 1822 na pequena cidade de Breckerfeld próximo de Hagen. Era o filho mais velho entre quatro do padeiro e locatário de um moinho de vento, Johann Peter Nikolaus Löwen e de sua esposa Anna Elisabeth Flüs. Porque era o único filho homem da casa, desde cedo tinha que ajudar a seu pai no moinho e na roça. Caso não tivesse tido um talento natural além do normal, como outros muitos de seus ancestrais teria passado a sua vida como cidadão simples de Breckerfeld. Porém, Deus queria outra coisa com ele. O pai dele reconheceu o talento do filho e por isso enviou-o a escola do reitorado, onde ele se destacou por causa de sua diligência e fidelidade, de tal forma que o reitor o teve por um dos melhores alunos. Por volta de 1837 ou 1838, Julius chegou a Elberfeld como aprendiz no comércio. Ali ele morava na casa de seu chefe. Naqueles dias ser aprendiz significava uma época dura. De manhã cedo tinha que levantar de madrugada, limpar o quarto e os sapatos, depois tirar o pó no escritório e assim por diante até que finalmente começasse o trabalho do dia propriamente dito. Por outro lado, recebeu uma formação comercial muito boa, que lhe deu uma excelente base para a sua futura vida como profissional.

Desde cedo, Julius tinha uma desejo pelas coisas divinas. Aos domingos freqüentava regularmente a igreja onde recebeu muita bênção por meio dos sermões do pastor luterano Friedrich Wilhelm Krummacher (1796 - 1868) e logo encontrou a paz por meio de uma fé viva. Cartas originais ainda existentes que escreveu à sua irmã e a amigos de sua juventude testemunham da seriedade profunda e santa que o caracterizava já enquanto ainda jovem de uns 19 a 20 anos. No dia 15 de junho de 1842 escreveu a um amigo: "...enquanto isso me ocupei diligentemente com a leitura da Bíblia e de livros edificantes. Aprendi a entender cada vez melhor que comigo ainda estava algo errado e que, se quisesse ser salvo, havia de acontecer uma mudança radical comigo. Foi então que o evangelho me abriu a plenitude de seus tesouros; ele me fez conhecer um homem que podia me salvar da perdição eterna, que expiou todos os meus pecados na cruz, que cumpriu a Lei em meu lugar e, dando me a justiça dEle, me fez agradável diante do Pai..".

Quando terminou o seu tempo de aprendizagem, Julius Löwen entrou como empregado numa renomada empresa do ramo de têxteis em Mettmann, onde trabalhou até o ano de 1850. Durante esse ano, ele fundou, juntamente com o seu amigo August Nordsieck, uma tecelagem de seda em Mettmann, que se mudou em 1853 para Elberfeld.

Julius Löwen foi caracterizado por profundo temor a Deus, honestidade e sinceridade por um lado, bem como uma rígida meticulosidade na sua vida particular e comercial por outro. Uma bem conhecida empresa de Wuppertal lhe deu um testemunho único e singular quando escreveu a uma amigo de negócios no exterior: "A única empresa em Wuppertal que nunca mente é a empresa Löwen e Nordsieck".

A atividade esgotante e cheia de responsabilidades atacou a saúde de Julius Löwen. Por isso, em 1873 na idade de somente 51 anos, ele tomou a dolorosa decisão de renunciar à sua atividade empresarial.

Em abril de 1848, a irmã de Julius Löwen, Emilie Wilhelmine, casou com o então professor Carl Brockhaus de Breckerfeld. Esse, logo após a sua mudança para Elberfeld, havia se dedicado integralmente à obra do Senhor. Por isso, Julius Löwen havia pensado em não fundar uma família própria, mas usar a sua renda para a família crescente de seu cunhado e na obra do Senhor. Emilie Wilhelmina, porém, pensava diferente. Ela estava convicta de que o Senhor havia de cuidar de Sua obra e de Seus servos. Baseado em sua experiência e na palavra das Escrituras que não é bom o homem permanecer só, ela dirigiu a sua atenção a Helene Langenbeck, a filha mais velha de uma amigo cristão, do proprietário da tinturaria F. W. Langenbeck de Unterbarmen. Na casa desse, de noite muitas vezes se reuniram cristãos sérios para o estudo da Palavra e Julius Löwen por vezes participava ali. Depois de um curto tempo de noivado, Helene Langenbeck e Julius Löwen casaram em 5 de junho de 1851. Seguiu-se uma matrimônio muito feliz de tal forma que Julius Löwen no dia de suas bodas de ouro podia dizer com profunda gratidão: "O nosso casamento tem sido um paraíso".

Depois que Julius Löwen se retirara do negócio em 1873, ele se dedicou mais do que até então ao serviço nas igrejas e ao ministério pastoral, visitando doentes e solteiros. O seu trabalho foi uma grande bênção. Ele possuía um profundo conhecimento da Palavra de Deus devido ao fato de ter-se convertido bastante cedo e sempre ter estudado com diligência as Escrituras. Agora podia com isso servir aos irmãos. Antes de mais nada, era também um fervoroso colaborador de seu cunhado Carl Brockhaus quanto à edição da revista mensal "Mensageiro da Salvação em Cristo".

A casa dos Löwen era tão hospitaleira que muitas vezes, especialmente durante as conferências, havia bastante visitantes ali. No ano de 1878, John Nelson Darby morava por alguns meses na casa do Löwen, quando esteve em Elberfeld por ocasião da última revisão da "Bíblia de Elberfeld".

Na sua idade mais avançada, sua força mental diminuiu consideravelmente. Somente para as coisas espirituais, então como antes, demonstrou interesse. Durante os últimos anos, um enfermeiro precisou cuidar dele. No dia 9 de agosto de 1907 dormiu no Senhor. A sua esposa viveu ainda 8 anos.

Julius Löwen possuía um talento bonito de poeta. Além de alguns poemas ocasionais, alguns hinos são de sua autoria que fazem parte da "Pequena Coletânia de Hinos Espirituais". Os hinos 125 "A Ti, Salvador Jesus" (hino 4 da coleção "Hinos Espirituais" em português), número 128 "Louvor seja ao Cordeiro" (hino 75 da coleção "Hinos Espirituais" em português) e o hino 134 "A Ti, no santuário, ó Deus" (hino 12 da coleção "Hinos Espirituais" em português) são dele. Proposta por Julius Löwen, também foi incluído na "Pequena Coletânia de Hinos Espirituais" a composição musical dos versículos 5 a 6 de Apocalipse 1 (hino 126; número 3 da coleção "Hinos Espirituais" em português):

"A Quem nos ama e dos pecados nossos
em Seu sangue nos lavou;
e para Seu Deus e Pai constituiu
a nós por reis e sacerdotes.
Seja Lhe dado, pois, o poder
e glória eternamente!
Amém! Amém!"

William Kelly

William Kelly
(1821 - 1906)

William Kelly nasceu em maio de 1821 em Millisle, condado de Down. Os anos de escola e universidade passou em Downpatrick e na universidade de Dublin, Irlanda. Ali adquiriu conhecimentos excelentes dos idiomas clássicos latim, grego e hebraico. Se formou clérigo protestante. Pouco tempo depois de sua formatura se converteu, mas ainda lhe faltou a consciência da verdadeira liberdade cristã. Uma senhora crente da família dos Aclands lhe mostrou 1 João 5:9-10, quando ele estava na ilha de Sark: "Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou. Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho".Por meio dessas palavras chegou, pela fé, à certeza firme da salvação e da possessão da vida eterna. Muitos anos depois, em seu livro "Expositions of the Epistles of John" ("Exposições das epístolas de João" — não disponível em português), ele faz menção desse, para ele, tão importante fato. Nunca mais, durante a sua vida, deixou de lado essa verdade.

Na idade de 24 anos encontrou pela primeira vez John Nelson Darby. Quando chegou a conhecer as doutrinas pregadas por ele, referente à verdadeira Igreja de Deus e outras verdades bíblicas, percebeu que o Espírito Santo estava operando poderosamente. A descoberta principal e decisiva para ele foi esta, que a afirmação de muitos teólogos que dizem ser o "campo" a Igreja (veja Mt 13:24, 36-38 e 44) estava errada. Isso se tornou para ele a chave de acesso à verdade sobre a Igreja. No tempo que se seguia, ele examinava minuciosamente as Sagradas Escrituras. Pela fé, reconhecia que devia consagrar os seus conhecimentos e capacidades extraordinários totalmente à causa do Senhor.

Nos anos 1849 a 1850, ele era o editor da revista "The Prospect" ("A Perspectiva"). Nela publicou uma tradução anotada do livro de Apocalipse diretamente do grego. As anotações faziam referências à diferenças entre os diversos manuscritos e outras eram de caráter mais geral. Em junho de 1856, um certo professor universitário, um Sr Wallace, iniciou a edição de uma revista entitulada "The Bible Treasury" ("O Tesouro Bíblico"). William Kelly assumiu a tarefa de editor em janeiro de 1857 e continuou assim até fevereiro de 1906, pouco tempo antes de seu falecimento. Essa revista mensal é realmente um verdadeiro tesouro de exposições sobre todos os livros bíblicos, de respostas a perguntas sobre a Bíblia, de exposições detalhadas sobre assuntos espirituais e de artigos de conteúdo encorajador e admoestador. Irmãos conhecidos tal como J. G. Bellet, J. N. Darby, J. G. Deck, W. W. Fereday, F. W. Grant, W. J. Hocking, A. Miller, F. G. Patterson, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros colaboraram para bênção permanente de muitos. Uma porção relativamente grande de contribuições é proveniente da pena do próprio William Kelly. Muitos de seus livros e livretos editados hoje são reimpressões de artigos da revista "The Bible Treasury". Outros livros são fruto de notas tomadas   em   estenografia   de   suas   palestras.   Exemplo   disso   são   as "Introductory Lectures" ("Lições Introdutórias") que não apareceram em "The Bible Treasury". William Kelly era um palestrante dotado que sabia se expressar de maneira impressionante e de fácil compreensão. Nunca colocou em destaque a sua erudição, porém sempre deu lições bem fundadas. Possuía um caráter cativante, gentil, atencioso conjugado com um humor distinto e puro.

Seria além da intenção do escritor entrar em detalhes referente a todos os seus livros que, basicamente todos, em língua inglesa, ainda hoje são disponíveis. São de valor permanente para todos que têm um interesse em perscrutar e examinar a preciosa Palavra de Deus.

É digno de nota o fato que William Kelly colecionou os escritos amplamente disseminados e, parcialmente, espalhados da autoria de John Nelson Darby e os editou em 34 volumes ("The Collected Writings of John Nelson Darby"). Essa edição exigiu trabalhos e pesquisas penosos durante vários anos. Por meio disso, William Kelly serviu de maneira importante à Igreja de Deus; serviço este para o qual poucos estavam qualificados tão bem como justamente ele. Também os cinco volumes "Synopsis of the Books of the Bible" ("Sinopse dos livros da Bíblia" — parcialmente disponíveis em português e planejados a serem editados integralmente pelo Depósito de Literatura Cristã -DLC, Diadema, Brasil) de J. N. Darby, William Kelly traduziu do francês ao inglês. Ele apreciou muito as obras e o ministério de J. N. Darby e se esforçou a propagá-los tanto quanto possível. O seu autor ele teve na maior estima e gostava de falar dele com reverência e amor, embora a comunhão prática com ele fosse interrompida pelas circunstâncias surgidas após uma colaboração cordial e feliz durante mais que 35 anos. Até o fim, porém, costumava dizer a qualquer um que se interessava pela verdade divina: "Leia Darby!"

William Kelly também trabalhou com zelo no evangelho, e isso tanto via oral como por escrito. Muitos de seus breves tratados evangelísticos em "The Bible Treasury" eram folhetos destinados a incrédulos. Uma de suas últimas atividades era seleção de literatura cristã específica destinada a China e Japão.

Depois de seu desligamento da igreja oficial em 1841, ano em que ele saiu para fora do arraial para levar o vitupério de Cristo, andara firme e fielmente no caminho após o seu Senhor. Incansavelmente, ele defendeu a unidade do Corpo, a unidade do Espírito e a separação ao Nome do Senhor Jesus Cristo bem como a esperança de Sua vinda. Em todas as dificuldades, também experimentadas entre os "Irmãos", ele tomou posição explicando de forma clara, logica e escriturística a sua posição, sempre retendo os princípios divinos. Julgou desvios em desacordo com as Escrituras entre os "Irmãos" da mesma forma drástica como o fez com todos os demais. Era apto para alertar e ajudar, repreender e encorajar. Pouco antes de sua partida desse mundo escreveu a um conhecido: "Quão insignificantes são as nossas aflições — não apenas comparado aos sofrimentos dAquele que sofreu como nenhum outro —, mas também em comparação com as aflições do apóstolo Paulo, que era homem de sentimentos iguais aos nossos. Quanto ele havia de suportar da parte dos judeus, das nações e da Igreja de Deus!"

Depois da morte de sua primeira esposa no ano 1884, ele casou-se com a irmã Gipps de Herford — uma mulher muito espiritual e dotada que era de grande ajuda a seu marido em suas tarefas especiais. Igual a ele, era uma conhecedora destacada de idiomas com grande conhecimento. De uma tradução dos Salmos para o inglês, ela fez a metade, enquanto William Kelly acrescentou o restante ele mesmo.

William Kelly possuia uma biblioteca de aproximadamente 15.000 volumes. Continha todos os códices grandes do Novo Testamento (alguns como edições fac-símile), edições poliglotas da Bíblia, as obras dos "Pais da Igreja" e dos grandes teólogos bem como muitos volumes referentes à ciência, filosofia e história, em especial história eclesiástica. Muitas obras teológicas raras se encontravam em seu poder. William Kelly queria abrir essa rica biblioteca a outros interessados na Palavra de Deus e decidiu, dois anos antes de sua morte, que deveria ser levada na condição de doação anônima à cidade de Middlesborough, Yorkshire. Porém, o grande jornal de Londres "The Times" conseguiu descobrir o doador e publicou o seu nome pouco tempo depois de sua morte.

Muito tempo William Kelly investiu na correspondência com pessoas de nível social alto e baixo. Com a sua letra manuscrita minúscula, porém bem legível, ele deu ensinos claros, informações confiáveis e conselho espiritual e consolo. Também nessa área ele se esforçava a servir da melhor forma a seu Senhor. Muitas pessoas famosas de sua época o admiravam e o estimavam. Foi feita a tentativa de integrar William Kelly como perito no assunto à comissão de revisão da conhecida "Authorized Version" da Bíblia em inglês. Ele não aceitou essa oferta honrosa, pois não concordou com a composição desse comitê, do qual até teólogos liberais faziam parte. O resultado da revisão do Novo Testamento ele submeteu a um exame minucioso em sua revista "The Bible Treasury", a partir do ano 1881. Durante toda a sua vida esse homem tão dotado de sabedoria permaneceu uma pessoa simples e modesta. Quando um dos professores universitários de Dublin lhe disse que ele poderia fazer uma fortuna como erudito, ele perguntou apenas: "Para que mundo?" E quando alguém lhe ofereceu generosamente de fazer algo em seu favor usando as suas conexões, ele perguntou a essa pessoa: "O que o senhor poderia fazer ainda mais em meu favor do que o Senhor Jesus já fez por mim?"

Assim os anos de vida de William Kelly se passaram repletos de serviço feliz, contínuo e proveitoso, até que, no início de janeiro do ano de 1906, sob conselho médico, ele se dirigiu a Exeter, à casa de seu amigo Dr Heyman Wreford. Ali, depois de algumas semanas, faleceu em 27 de março de 1906. Assim se findou uma vida de um serviço exemplar e único, cujas conseqüências ainda se têm preservado por muito tempo. Pouco antes de sua partida desse mundo, ainda disse a uma visitante em seu leito de enfermidade: "Há três coisas reais: a cruz, a inimizade do mundo e o amor de Deus".

Outros livros de W. Kelly:

Esdras/Neemias
Ageu
Estudo sobre o Apocalipse

Também podem ser encontrados no Depósito de Literatura Cristã -DLC

Franz Kaupp


Franz Kaupp
(1866 - 1945)

Franz Kaupp nasceu em 6 de novembro de 1866 em Freudenstadt. Os seus pais eram pessoas crentes de fé protestante. Quando faleceu o pai de Franz, esse tinha apenas 3 meses. Por isso, a mãe voltou à casa dos pais dela e trabalhou por dia nas matas. Dessa forma, o rapaz cresceu em grande pobreza. Já na idade de 5 anos, entrou na escola e, porque era sempre o melhor aluno e bastante desejoso para aprender, ele pôde freqüentar a "Mittelschule" (um antigo tipo de escola na Alemanha de nível intermediário; colégio). Com 14 anos, se tornou aprendiz de padeiro e seu mestre faleceu um ano mais tarde. Assim — mal tinha 15 anos — ele deixou a sua terra e encontrou trabalho em Straßburg e mais tarde em Mülhausen. Ali trabalhou também um primo dele, que se reunia numa comunidade cristã e levou o jovem Franz Kaupp foi por diversas vezes às reuniões. Foi ali que encontrou Charles Vodoz, que apontou com o dedo indicador no coração de Franz e lhe disse: "Franz, você é um pecador perdido!". Essas palavras sinceras não ficaram sem efeito. Reconheceu a sentença divina e pouco tempo depois encontrou o perdão dos pecados e paz com Deus no sangue do Cordeiro imolado. Desde então, não conhecia outra coisa senão louvar a Jesus e confessar o nome dEle.

Com grande zelo assistia então às reuniões dos crentes. Embora trabalhasse por várias noites inteiras, nunca deixou que isso lhe impedisse ouvir mais de Deus e de Sua Palavra.

Na idade de 20 anos, Franz Kaupp voltou a Freudenstadt. Encontrou ali um fiel amigo na pessoa de Gottlob Stufft.. Esse achou a fé por meio de Franz e outros a acharam por meio de Gottlob. Dessa forma surgiu uma pequena assembléia em Freudenstadt. A sua mãe, que lia às escondidas os escritos e tratados de seu filho, igualmente chegou a crer e teve comunhão prática com os irmãos.

Foi nesse tempo que Franz Kaupp começou a aprender francês, para então, como office-boy viajante, se mudar à Suíça francesa. Durante o seu pouco tempo livre, o aprendiz de padeiro também aprendeu grego, latim, inglês e mais tarde ainda hebraico — tudo como autodidata.

Depois de 12 anos de viajens na Suíça e na Alsácia, abriu o próprio negócio em Gebweiler. Em setembro de 1893, casou-se com Sophie Schweizer. Durante cada minuto livre se dedicou aos seus estudos. Os livros dele sempre estavam abertos na sua escrivaninha e ninguém podia tocá-los. Por amor ao estudo da Palavra, ele arrendou a padaria em 1906 e se tornou um empregado no escritório de uma distribuidora de farinha. A sua tarefa era supervisionar as entradas e saídas do estoque e por isso tinha bastante tempo para as suas leituras pessoais. Em abril de 1911, perdeu a sua amada esposa, o que forçou-o a colocar, de coração pesado, a sua única filha por dois anos num internado. Durante esse tempo achou grande consolo na Palavra de Deus, à qual se dedicou ainda mais do que antes. Para uso próprio escreveu estudos da Palavra até tarde da noite.

Depois da primeira guerra mundial (1914 - 1918), Franz Kaupp, na sua condição de alemão, foi expatriado da Alsácia no dia 1 de abril de 1919, embora, fiel à Palavra divina, havia se mantido longe de toda sorte de política. Podia levar apenas as coisas que conseguia carregar nas suas duas mãos. A sua casa e tudo que possuía, tinha que deixar para trás. Contudo, aceitou tudo da mão de Deus. Voltou novamente a Freudenstadt na Floresta Negra e ali encontrou uma colocação na informação turística da administração municipal até o ano de 1944. Em abril de 1925, casou-se com a professora de artesanatos e costura Fanny Wirth.

Todo tempo livre usou para as suas atividades de escritor. Muitas respostas a perguntas (parcialmente publicado em 1968 em forma de livro na editora Ernst Paulus, Neustadt a.d.W.) e muitas folhinhas de calendário eram fruto disso. Traduziu "Alimento para o Peregrino" da autoria de John Nelson Darby e do estudo sobre a epístola aos Colossenses de William Kelly. Durante a década dos anos 1920 o movimento das reuniões particulares sob direção do Dr. Hans Becker se espalhou pelo país a fora e muitos irmãos inquietados com isso se dirigiram com perguntas a Franz Kaupp. Em muitas cartas detalhadas e minuciosas, testemunhou firme e claramente da verdade e não deixou de sempre apontar "os caminhos antigos" para os líderes do novo movimento. De forma especial devemos fazer menção de seu escrito "A Eclésia de Deus" editado em novembro de 1937 (ou seja, já depois da proibição das reuniões livres por parte do governo nazista). Nesse livreto examina e rejeita, baseado na Palavra de Deus, os princípios do BfC ("Bund freier Christen" — "Associação de Cristãos Livres").

No dia 28 de abril de 1937, foi publicado a proibição da "Igreja Cristã" (nome dada aos irmãos por parte do governo) na Alemanha. O efeito foi o de um raio num dia sem nuvens. Os locais de reunião foram fechados, Bíblias e hinários confiscados. Porém, Franz Kaup continuou a se reunir com os irmãos conforme as instruções da Palavra de Deus e assim ele foi detido pela polícia secreta do estado e posto diante do juiz no dia 8 de fevereiro de 1938. O presidente do temido juízo especial tentou intimidar o acusado por meio de pesados ataques verbais. Franz Kaupp por sua vez, com palavras simples, confirmou o fato de que as reuniões seriam somente uma confissão clara ao lado da pessoa do Filho de Deus, Jesus Cristo, e que as reuniões nunca tiveram outra finalidade. Assuntos políticos jamais teriam sido levantados no meio dos reunidos de forma que as acusações contra ele não teriam fundamento. Baseado nisso, proibiram-lhe toda e qualquer atividade religiosa — seja verbal ou por escrito. As reuniões públicas foram novamente proibidas por ocasião da sentença. Franz Kaupp, em reação a isso, continuou a visitar amigos e conhecidos, para consolá-los e encorajá-los a permanecer em Cristo.

No ano de 1942, a Gestapo novamente se manifestou após de algum tempo de passividade. Em muitos lugares novamente aconteceram batidas e pessoas foram detidas. Franz Kaupp também foi preso novamente em novembro de 1942. Foi preso na prisão de Freudenstadt, mas após cinco dias libertos pelo juiz local. Quando a Gestapo (polícia secreta na Alemanha nazista) tomou conhecimento disso, foi detido outra vez e fizeram uma batida policial em sua casa. Muitos de seus livros e, antes de mais nada, os seus valiosos manuscritos, fruto de mais que 30 anos de trabalho, foram confiscados. Por ocasião da audiência judicial foi acusado de ter dado continuação às reuniões cristãs proibidas por meio de escritos. Foi ameaçado que não o poupariam devido a sua idade bastante avançada, caso respondesse novamente perguntas bíblicas e fizesse visitas com a Bíblia no bolso. Nesse caso não seria posto na prisão, mas no campo de concentração. Foi sentenciado a uma pena de 1.000,00 marcos e liberto em 31 de dezembro de 1942. Quando requeria por via escrita junto a Gestapo que devolvessem os seus manuscritos, ele foi comunicado que esses seriam considerados "escritos indesejados" e que permaneceriam confiscados.

Franz Kaupp era uma dos testemunhas que, na época da proibição das reuniões, agiram fiel e varonilmente segundo o princípio: "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (Atos 5:29). Em novembro de  1944, participou de um enterro em Pforzheim. Estranhamente, as autoridades não haviam proibido que a Palavra de Deus fosse anunciada por ocasião de um enterro. Durante a viagem para casa, caças inimigas atacaram o trem e todos os viajantes fugiram de dentro dos vagões. Todo molhado e duro de frio por causa do tempo frio e gelado de novembro, chegou de noite a Freudenstadt. Pegou disso uma gripe forte e não convalesceu mais. Uma irmã que o visitou, perguntou: "Irmão Kaupp, é bonito quando está preparado, quando o Senhor está chamando, não é?" — "Preparado? Somente preparado? Não, estou em suspense como será ver o Senhor!" respondeu Franz Kaupp. No dia 8 de fevereiro de 1845 dormiu no seu Senhor. Embora durante essas semanas ataques de bombardeiros fossem algo normal em todos os dias, no dia de seu enterro não se mostrou nenhum avião. Porém, três dias mais tarde, uma bomba destruiu completamente a central de cultura e turismo da cidade. Os seus colegas comentaram com a sua esposa: "Se o sr. Kaupp ainda tivesse trabalhando entre nós, nenhuma bomba teria caído na central de cultura e turismo". Foi assim a confiança que depositaram em seu colega!

De fato, durante toda a sua vida tinha sido um testemunho para Jesus, Salvador e Senhor dele.

Frederick William Grant

Frederick William Grant
(1834 - 1902)


Frederick William Grant nasceu em 25 de julho de 1834 no distrito de Putney, Londres. Ele chegou à conversão somente pela leitura das Sagradas Escrituras e sem auxílio de alguma outra pessoa. A sua educação escolar recebeu no colégio Kingston College School e esperava conseguir uma colocação no ministério da defesa. Aparentemente lhe faltavam as referências para isso e assim imigrou para o Canadá na idade de 21 anos. Nessa época, quando veio ao Canadá, a Igreja Anglicana (igreja oficial do estado inglês) estava instituindo novas paróquias nas partes recém colonizadas desse país. A necessidade de pastores era tão grande, que F. W. Grant, após uma exame minucioso, foi ordenado para essa função sem ter passado pelos estudos de modo geral necessários para isso.

Pela leitura de diversos escritos dos irmãos ficou claro para ele que não podia permanecer na igreja do estado. Por isso deixou o sistema eclesiástico e mudou-se para Toronto onde morou por algum tempo. Podemos ganhar um quadro claro de seu desenvolvimento espiritual a partir de uma correspondência com John Nelson Darby mantida durante os anos 1864 a 1875. Principalmente se destacam os descobrimentos que uma alma vivificada faz quanto à sua carne corrupta e quanto aos perigos do egoísmo e do intelectualismo. Esse conhecimento de si próprio é tanto mais notável, porque nos seus escritos posteriores, por vezes chegou a formulações um pouco ousadas e não compartilhadas pela maioria dos mestres entre os irmãos. Por outro lado, possuía um entendimento profundo da verdade que sempre explicava com grande alegria. Sempre era o desejo de seu coração fazer Cristo mais precioso às almas fazer-lhes cara a Sua Palavra.

Mais tarde, F. W. Grant mudou-se para Brooklyn no estado de Nova Iorque, depois para Plainfield (New Jersey), onde morava até a sua morte. Não viajava muito e por isso não era pessoalmente conhecido por muitos irmãos. Também lhe faltavam aquela atração que muitos dos guias, também entre os crentes, possuem. Porém, aqueles que o conheciam pessoalmente, o amavam por causa de seu caráter precioso e nobre, fruto da graça de Deus, e por causa da simplicidade e dignidade de um cristão verdadeiro. Amava a Palavra de Deus acima de tudo e desejava retê-la, embora tivesse consciência de sua fraqueza e dependência. Queria sempre de novo apresentar as preciosas verdades contidas nela às almas.

Durante anos havia se ocupado detalhadamente com o livro dos Salmos. Não apenas foi atraído pelo conteúdo deles, mas também pela forma literária e sua divisão comparável aos cinco livros de Moisés (o Pentateuco). Foi atraído pelo fato de que em alguns salmos a letra inicial de cada versículo segue a seqüência do alfabeto hebraico e também de sua relação entre si em vários grupos. Chegou a ter a impressão de que Deus deixou escrever os salmos segundo um plano específico, notando que o significado numerológico de cada salmo, de cada grupo de salmos e de cada livro tinha um lugar claramente indicado e importante. Se, pois, os salmos foram escritos dessa forma, por que então não todas as Sagradas Escrituras? Assim continuou pesquisando até encontrar a mesma harmonia divina em toda a inspirada Palavra de Deus. Começou e escreveu durante alguns anos de paciente trabalho a obra "The Numerical Bible" ("A Bíblia de
Números"). Ao total, sete volumes dessa obra foram publicados. Englobam Gênesis a 2 Samuel, os Salmos e o profeta Ezequiel quanto ao Antigo Testamento e todo o Novo Testamento. Infelizmente não foi possível terminar os demais livros do Antigo Testamento. Dividiu o texto bíblico conforme a estrutura numérica descoberta por ele e, na margem, colocou diversas passagens paralelas e também um comentário contínuo abaixo do texto bíblico. Além disso, escreveu um número de estudos (por exemplo sobre Gênesis e Êxodo e o Apocalipse) e também livros de conteúdo doutrinário sobre diversos assuntos.
 

Da época pouco antes de seu falecimento se conta a seguinte história. Quando um visitante entrou em seu quarto, ele sentava, apoiado em almofadas, em sua cadeira. A Bíblia estava aberta diante dele, como sempre nesses dias de uma espera difícil e desamparo. Se voltou ao visitante e disse em profunda comoção com um olhar a sua Bíblia: "Oh, o livro, o livro!" Era como se quisesse dizer: Que abundância tenho aqui e quão pouco entendi e com que fraqueza expressei os pensamentos contidos nele.
 

Em 25 de julho de 1902, em seu aniversário de 68 anos, faleceu em Plainfield e foi ao lar para estar com Cristo, seu Senhor.
 

sábado, 27 de agosto de 2011

Emil Dönges

Emil Dönges
(1853-1923)

Emil Dönges nasceu em 2 de setembro de 1853 na condição de segundo filho mais velho de Philipp Dönges e de sua esposa Josefine com nome de solteira Knab em Becheln, um pequeno vilarejo no planalto entre os rios Reno e Lahn. O pai, mais tarde, chegou a ser professor em Wallau e em sua morada se reuniam de tempo em tempo os pastores luteranos e professores da redondeza para um tal chamado "Círculo Bíblico". Era de seu especial interesse educar os seus filhos de forma estritamente cristã.

Já cedo o menino Emil demonstrou ter uma espírito especialmente esperto e ter dons de observação e entendimento extraordinários. Por isso o pai dele resolveu conceder-lhe a melhor formação possível, embora o número de seus filhos crescesse e tivesse apenas limitados recursos financeiros. O jovem Emil Dönges freqüentou durante vários anos o ginásio em Elberfeld. O Senhor conduziu as coisas de forma que ele recebesse alojamento em uma família cristã e por meio disso tivesse contato com um grupo de crentes verdadeiros. Durante o seu último ano de segundo grau, chegou a conhecer o empresário Julius Löwen de Elberfeld. Esse conversou bastante com o jovem interiormente inquieto e lhe deu para leitura alguns escritos procedentes da editora de seu cunhado Carl Brockhaus. O jovem, porém, chegou a lê-los somente durante a sua estadia de estudos na Inglaterra. Porque queria aprender cuidadosamente o idioma inglês antes de ir a universidade, ele passou um ano e meio em uma "instituição educacional" inglesa em condições aparentemente não tão agradáveis. Ali o jovem crente procurou a comunhão de outros cristãos. Primeiramente teve contato com os "Quakers", mais tarde com os chamados "irmãos abertos", e finalmente com aqueles crentes com os quais permaneceu em contato até o fim de sua vida e em cujo meio exerceu um ministério especialmente abençoado.

Após sua volta da Inglaterra iniciou o estudo de idiomas modernos (inglês e francês) na universidade de Marburg como preparativo para lecionar no ginásio. Já durante o tempo de estudo fez uso dos domingos para buscar os crentes da redondeza, para servi-los com a Palavra de Deus e para anunciar a boa nova da salvação a pessoas ainda não salvas. Desde então se evidenciou o seu grande talento para o serviço no evangelho e Deus abençoou os seus esforços.
Terminou os seus estudos sendo promovido a "Dr. Phil.". Para essa finalidade passou ainda alguns meses em Paris. Depois disso exerceu a profissão de professor no ginário de Burgsteinfurt por alguns anos. Foi ali que o Senhor lhe fez claro que devia entrar por tempo integral no serviço dEle. Embora estivesse bastante apegado a sua profissão e a família mostrasse inicialmente pouco entendimento por sua decisão, resolveu renunciar a sua atividade e se colocar a plena disposição do Senhor.

Assim encontramos Emil Dönges nos anos 1884 a 1886 novamente em Elberfeld, onde foi recebido pela família de Carl Brockhaus. Agora podia, sem ser impedido por outras obrigações, anunciar a Palavra de Deus tanto a convertidos como também a não convertidos e também ajudar na editora de Carl Brockhaus nos trabalhos de escritos. Traduziu nessa época a recém lançada "História da Igreja" do inglês Andrew Miller, modificando parcialmente o último volume. A obra foi editada em língua alemã pela primeira vez em 1888. Também participou dos trabalhos de revisão da chamada "Bíblia de Elberfeld", em especial quanto ao Novo Testamento, enquanto os trabalhos no Antigo Testamento foram executados por Dr. Alfred Rochat.

No ano de 1886 se mudou para Frankfurt am Main. Ali se casou com Katharina Kirch, que desde então era a sua fiel companheira de vida e de mente espiritual igual. O Senhor lhes concedeu seis filhos e três filhas. Embora tivesse bastante trabalho, o pai dedicou tempo suficiente a sua família e a sua casa sempre estava aberta para os filhos de Deus e todos os que precisavam de consolo e ajuda.

Em janeiro de 1888 começou a editar uma revista evangelística intitulada "Boa Mensagem de Paz para Todos". Essa revista apareceu até que ele faleceu no mesmo frescor e para grande bênção. Muitas vezes foi chamada de a melhor revista evangelística da Alemanha. Em 1891 seguiu a revista para escola dominical com o título "Amigo das Crianças"que rapidamente foi aceito e se espalhou largamente. Finalmente, Emil Dönges decidiu publicar em 1910 a revista "Graça e Paz — Revista Mensal para Crentes". No decorrer dos anos foram acrescentados vários escritos de cunho evangelístico e de ensinamento, em especial um estudo sobre o livro de Apocalipse com o título "O que em breve há de acontecer". Igualmente merecem menção o devocional "Mensagem de Paz" e o devocional voltado a famílias "Mensageiro de Paz". Dois hinos de sua autoria foi inserido na "Pequena Coletânia de Hinos Espirituais"; trata-se dos número 129 e 146. O último verso de 146 é de autoria de sua esposa.

Em maio de 1899, Emil Dönges se mudou com a sua família para Darmstadt, enquanto a editora "Irmãos Dönges" teve a sua sede em Dillenburg. Ali continuou a sua diversificada atividade no serviço do Senhor. No mesmo ano, aceitou a direção do "Instituto Cristão para Portadores de Debilidade Mental" em Aue perto de Schmalkalden.

No início de dezenbro de 1923, Emil Dönges planejava mais uma vez participar da reunião dos irmãos que trabalhavam na obra do Senhor. No dia 3 de dezembro, um forte ataque cardíaco o lançou no leito de enfermidade. Após alguns dias parecia melhorar e seus parentes já acreditavam que o perigo tivesse passado, porém no dia 7 de dezembro de1923, o coração do fiel servo do Senhor parou. Uma vida rica e repleta em bênçãos havia terminado. Um evangelista de talento extraordinário e um fiel guia dos crentes com um coração cheio de amor foi chamado para o lar.

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