segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Charles Stanley

 
Charles Stanley
(1821 - 1890)

O evangelista Charles Stanley nasceu no ano 1821 num pequeno vilarejo no condado de Yorkshire. Já na idade de 4 anos ficou órfão e foi por isso criado por seu avô, um homem sincero. O rapaz queria saber de tudo e leu desde cedo muitas vezes na Bíblia, embora já tivesse que trabalhar nos campos na tenra idade de 7 anos, para ganhar o seu pão. Apenas nos invernos podia freqüentar a escola do vilarejo.Na idade de 11 anos, Charles Stanley foi recebido na casa de um homem nobre, que lhe deu durante dois anos uma educação escolar extraordinária. Essa não foi direcionada tanto para erudição senão para a aquisição de sabedorias práticas úteis na vida. Por ocasião da despedida, esse homem lhe confidenciou as seguintes palavras: "Charles, ou você se torna numa maldição ou numa bênção para a humanidade". O próprio Charles Stanley, mais tarde, disse que foi somente pela graça de Deus que aconteceu o último.

Já na idade de 12 anos, ele tinha um bom conhecimento da Palavra de Deus, embora ainda não tivesse convertido. Tentou melhorar a sua vida, mas não teve êxito. Certa noite, numa estrada molhada pela chuva, ele se jogou ao chão e exclamou: "Ó Senhor, não posso fazer mais nada!" Ele viu que era perdido. Foi então, que o Espírito de Deus mostrou à sua alma a obra completa de Cristo e ele O aceitou como o seu Salvador. Depois de sua conversão desejava de imediato conhecer outros cristãos. Porém, durante muito tempo não achava o certo: a comunhão dos santos em separação do mundo. Durante esse tempo, na cidade vizinha Laughton, um pequeno número de cristãos começou a se reunir e o ministério da Palavra estava correspondendo ao estado da alma do jovem Charles. Foi ali que ele pregou pela primeira vez em 1835 na idade de 14 anos quando o pregador esperado não apareceu em tempo. Ele falou sobre João 3:16; quando depois de mais de 40 anos voltou a esse vilarejo e falou com um homem, esse ainda se lembrou bem da passagem e da pregação.

Algum tempo após sua conversão, Charles Stanley foi a Sheffield onde começou a trabalhar numa loja de ferragens. O jovem aprendeu muitas coisas, porém não fazia progressos no conhecimento de assuntos divinos. Ele se esforçou a pregar fluentemente, mas, como ele mesmo afirmava mais tarde, não estava aprendendo.

Com 23 anos de idade ele já possuía a sua própria pequena loja. Foi nesse tempo, ouvindo uma pregação sobre Mateus 24, que ele descobriu quão pouco realmente sabia da Palavra de Deus. Começou diligentemente a examinar as Sagradas Escrituras e durante 18 meses se ocupou somente com a epístola aos Romanos! Durante o seu tempo livre, anunciava o evangelho. Foi então que ele conheceu um evangelista, Captain W., e entrou em contato com alguns irmãos que se reuniam no primeiro dia da semana, para, assim como os discípulos em Atos 20, partir o pão. Certo domingo de manhã foi até ali e encontrou reunido um pequeno grupo num recinto do primeiro andar de uma casa na Wellington Street em Sheffield. Não viu nenhum púlpito suntuoso, mas somente uma mesa coberta com uma toalha branca e em cima dela pão e vinho em memória da morte do Senhor Jesus. Também não viu nenhum presidente ou pregador; todos estavam sentados ao redor daquela mesa. Sentia que essas pessoas vieram, para encontrar o próprio Senhor. Foi tão impressionado por essa simples congregação, que chegou à conclusão: "Esse é o meu lugar, mesmo que seja somente a esteira de limpar pé desses cristãos". Algumas semanas mais tarde, também podia ocupar o seu lugar à Mesa do Senhor. Pouco tempo depois, certo domingo, ele fez uma experiência que nunca havia feito antes — a direção do Espírito Santo. Foi como se fosse um terno sussurro da parte do Senhor: "Leia 2 Coríntios 1". Pensamentos maravilhosos sobre os versículos 3 a 5 encheram o coração dele. Se sentia tão comovido, que o suor lhe escorria pelo rosto e corpo. Assim sentou ali, quieto; sentia o impulso, mas não tinha coragem. Finalmente, Captain W. se levantou, que sentava do outro lado do recinto, e expressou exatamente aqueles pensamentos, que o Espírito Santo havia colocado no coração de Charles Stanley. Mais tarde, durante toda a sua vida, essa direção divina havia de ocupar um lugar todo especial, como ele próprio escreve em sua auto-biografia "Como o Senhor me Tem Guiado".

Ainda sentia como conhecia pouco da Palavra de Deus, mas começou novamente a pregar a Palavra. Acontecia raras vezes que ele pregava sem que alguma alma se convertesse. Por vezes, ficou sabendo disso somente uns 10 ou 20 anos mais tarde. Durante anos viajou pela Inglaterra na sua função de representante comercial e, ao mesmo tempo, fazia a obra de um evangelista. É impossível definirmos de perto quantas almas encontraram a paz por meio do ministério dele. Nas ruas, em navios, no trem ou em festividades, em igrejas, salas-de-estar, cozinhas e fábricas, em teatros ou capelas — por todos os lados testificava do Senhor Jesus e por todos os lados almas foram salvas. Da grande quantidade de exemplos que relata em seu livro "Como o Senhor me conduziu", citaremos apenas o seguinte extraído do terceiro capítulo:

"Pouco tempo depois estive novamente em Hull e anunciei as boas novas. Após o almoço, estava sentado juntamente com o irmão A. J., quando recebi o chamado de pregar num barco a vapor. Comuniquei isso ao irmão J. 'Às duas horas sai um navio daqui, que geralmente fica cheio de pessoas voltando da feira', era a resposta dele. Tive a certeza de ter que pregar a bordo desse navio. Peguei a minha bolsa e o irmão J. me mostrou o caminho. Naqueles dias ainda não havia uma ponte de embarque e desembarque e, quando queria passar pela passarela móvel, a mesma deslizou e caiu na água. Tive a chance de me agarrar na beirada do navio e me puxaram a bordo. Em decorrência disso, havia bastante barulho e tumulto, e me puxaram de um lado para outro. Nessa situação levantei os meus olhares ao Senhor, para que me levantasse e me colocasse alguém de igual índole ao lado. Orando, passei pelo convés. O Senhor me mostrou um homem que acabara de se sentar. Sentei-me ao lado dele e perguntou-lhe, se ele era cristão. 'Sim, pela graça de Deus', ele respondeu. Então lhe perguntei: 'O senhor tem fé?' Contei-lhe, como Senhor me havia enviado, para pregara bordo, mas que me sentia tão fraco e por isso pedi por uma ajudante. Ele deu um salto e, com as palavras 'fé e obras' correu embora. Agora fiquei mais desanimado ainda. Como são estranhas as maneiras que o Senhor prepara os Seus mensageiros para o serviço dEle! Agora estava pequeno o suficiente, para que o Senhor pudesse me usar. Ai o homem voltou com o rosto irradiante de alegria. 'Podemos começar!', disse ele. 'O que pode começar?', perguntei-lhe. Explicou: 'Recebi a permissão do capitão e há algumas pessoas que querem cantar um hino.' Tirou o hino que foi cantada a toda força. Então o Senhor me deu a força de poder falar durante todo o trajeto. Nos diversos pontos de parada, sempre desembarcavam pessoas. Preguei a tarde toda até a noite. Naquele dia não sabia se alguma alma havia encontrado o Senhor. Muitos anos depois, quando já me esquecera basicamente por completo desse acontecimento, depois de uma reunião em Birmingham um senhor veio ao meu encontro e disse: 'Creio, que o senhor não me reconhece.' E foi assim. Então me perguntou: 'O senhor se lembra ainda da pregação de 20 milhas de comprimento?' — 'Também não', respondi. 'Pois bem, está lembrado da pregação de Hull a Thorne, lugares que distam em torno de 20 milhas um do outro?'

Então me lembrei dos detalhes. Ele, um pregador metodista, era a pessoa que me ajudara tão gentilmente naquela ocasião. Ele me contou que esteve em várias cidades e diversos vilarejos ao longo do rio onde o vapor havia parado. Tinha encontrado almas ao longo de todo o rio que foram salvas naquele dia. Assim o Senhor, muitas vezes, depois de muitos dias, dá a prova de que a Sua Palavra não volta vazia. Oh, que alegria é pregar com a certeza de que almas estão sendo salvas."

Embora Charles Stanley inicialmente tivesse pouco dinheiro à disposição e tivesse de cuidar de uma grande família, ele conseguiu empregar grande parte de seu tempo no evangelho. O Senhor lhe ajudou de maneira maravilhosa. A grande bênção, que pousava sobre o seu trabalho, sem dúvida era uma conseqüência de sua dependência dEle e de sua forte fé na direção dEle. Sempre de novo, o Senhor lhe revelava que devia ir a um certo lugar, onde nunca antes estivera, e ele foi pela fé, e o Senhor tirava todos os empecilhos de seu caminho.

O maior tempo de sua vida, Charles Stanley morava em Rotherham. Foi ali que escreveu centenas de folhetos evangelísticos. Os mais conhecidos eram os "folhetos de trem" ("Railway tracts"). Um irmão lhe deu a idéia de escrever as suas muitas experiências, para que o Senhor pudesse usá-las para bênção de outros. Charles Stanley não podia nem sonhar naquele momento, que mais tarde seriam impressos em muitos idiomas e que seriam amplamente divulgados. Também publicou outras séries de folhetos no decorrer dos anos. O folheto mais conhecido deve ser aquele sobre Mefibosete (2 Samuel 9). Charles Stanley também escreveu várias redações para crentes de conteúdo edificante e encorajador, que mais tarde foram publicados como "Escritos Seletos" em dois volumes ("Selected Writings of Charles Stanley"). Além disso escreveu pequenos estudos sobre o início e os princípios da Igreja ("The First Years of Christianity" — "Os Primeiros Anos do Cristianismo") e sobre a epístola aos Romanos. De 1880 a 1890, Charles Stanley era o editor da revista "Things New and Old" ("Coisas Novas e Velhas"). Foi chamado ao lar no dia 30 de março de 1890.

domingo, 28 de agosto de 2011

Samuel Ridout

 
Samuel Ridout
(1855 - 1930)

Samuel Ridou nasceu no dia 23 de outubro em Annapolis, Maryland, EUA. O pai dele, Dr. Samuel Ridout, faleceu um ano depois do nascimento de seu filho e sua mãe, Anne Ridout, quatro anos depois disso. O jovem Samuel, órfão então, foi recebido por seu avô que cuidava dele e o guiou rumo ao seu futuro caminho na vida. Mais tarde Samuel Ridout se referia a esse homem piedoso e temente a Deus, sempre com grande estima. Muitas vezes se lembrou o quanto ele devia a este pela educação na disciplina e exortação do Senhor.

Até a idade de 12 anos passou a sua infância em Annapolis. Depois freqüentou uma escola na Pennsylvania, mais tarde o colégio St. John em Annapolis, onde fez o exame final com 18 anos. Durante esse período o seu estado de saúde deu razão à uma séria preocupação. Devido a essa circunstância foi o melhor para ele que se tornasse marinheiro. Dessa forma ele ingressou na marinha dos Estados Unidos e serviu no navio "Alaska" comandado então pelo capitão Carter. Capitão Carter era um bom amigo da família e o jovem cadete foi ordenado a serviço pessoal do capitão. Depois de ter servido em torno de uns três anos, a esposa do capitão Carter faleceu na Europa, enquanto o navio de seu marido estava patrulhando o Mar Mediterrâneo. Samuel Ridout recebeu ordens de cuidar do traslado do corpo aos Estados Unidos. Assim voltou aos EUA e se despediu da marinha. Agora tinha mais ou menos 22 anos.

Durante os três anos de marinheiro, ele teve sérios exercícios de alma. Procurou a comunhão de cristãos sempre quando teve a oportunidade. Nos portos assistiu as diversas reuniões cristãs. Nesse tempo também perdeu a sua única irmã. Por meio da morte dela, os seus exercícios chegaram a um final bom, pois mostrava mais e mais interesse pelas coisas do Senhor e de Sua obra. Durante um pequeno período ele era então professor na região de minérios na parte oeste de Maryland. Trabalhava ali entre muitas pessoas pobres e que tinham pouca escolaridade. Também ali havia muitas dificuldades e provações, o que com certeza contribuiu para que ele desenvolvesse as características que o destacavam mais tarde e fizeram com que fosse uma pessoa amada. Já durante esse período ele utilizou as suas férias, para, na condição de vendedor ambulante, passar de casa em casa pelas regiões montanhosas dos estados da Virgínia e de Maryland.

Devagar se evidenciou mais claramente a sua evolução futura. Encorajado pelo avô temente a Deus, Samuel Ridout decidiu cursar teologia no seminário de Princeton. Também ali fez uso de diversas férias, para evangelizar na Pennsylvania. Quando terminou os estudos em 1880, recebeu um chamado a Baltimore onde ficou por um ano.

Durante esse tempo ele teve o contato de alguns crentes que se reuniam em separação dos sistemas religiosos. Novamente teve profundas aflições em sua alma quanto ao caminho que devia andar agora. Porém, ele reconheceu que o caminho seguido por esses irmãos correspondia aos princípios da Palavra de Deus em sua maneira de se reunir para culto e ministério da Palavra. Assim, acompanhado de grandes sacrifícios pessoais, ele se separou da igreja presbiteriana, para trilhar o caminho uma vez reconhecido como o caminho da fé para os filhos de Deus. Era convicto disso. Foi recebido à comunhão pelos irmãos que se reuniam naqueles dias em Baltimore e ocupou com bastante humildade o seu lugar. Aguardava pelo Senhor, para que lhe abrisse o caminho de servir aos crentes por meio da Palavra de Deus. Em momento algum pensava ter um direito especial de reconhecimento da parte de seus irmãos por causa de sua posição anterior. Trabalhou por um salário de 30 dólares mensais (naqueles dias muito mais do que hoje) como empregado da companhia de ferro Baltimore-Ohio, e nas horas vagas deu aulas.

Já após um breve tempo a sua presença e ministério na igreja local se mostrou ser uma grande bênção. O seu dom especial que lhe fora conferido por Cristo, cabeça da Igreja, logo foi reconhecido e apreciado. No ano de 1883, ele se casou com Anna Elisabeth Newark. Em Baltimore, nasceram três filhos. No ano de 1903, Samuel Ridout se mudou com a sua família para Boyertown na Pennsylvania, de onde ele mudou para Plainfield em New Jersey em 1912.

Durante mais que 40 anos serviu nas igrejas na Palavra de Deus. Como editor da revista mensal "Help and Food" ("Auxílio e Alimento") ele era o sucessor de seu amigo Frederick William Grant, 21 anos mais velho que ele. Também ajudou a esse último na edição da "Numerical Bible". Foi ele que juntou as passagens paralelas a acrescentou algumas notas de rodapé muito preciosas. Durante décadas publicou revistas para escola dominical e tarefas para o ensino bíblico. Também a editora "Bible Truth Depot" apreciou bastante a ajuda e o conselho dele.

Além dessas tarefas diversas, ele empreendeu algumas viagens longas entre os oceanos pacífico e atlântico, para servir aos filhos de Deus e anunciar o evangelho. Com todo esse trabalho, a continuação e conservação dos princípios da verdade quanto à Igreja de Deus, o caminho e testemunho dela neste mundo lhe pesavam no coração. Fez tudo isso sem evidenciar jamais orgulho espiritual ou uma mente sectária. Fez tudo com um coração aberto para todos os verdadeiros filhos de Deus e cheio de amor por eles. Com zelo persistente cuidou, para que o lugar que, segundo a sua convicção, era o único lugar em meio aos erros e à confusão de nossos dias, não fosse enfraquecido nem prejudicado seja por meio das palavras dele ou por seus atos.

Nos últimos três anos não tinha mais forças suficientes para fazer longas viagens. A não ser as suas visitas na redondeza, exerceu o seu ministério somente em Plainfield e morava ali com o seu filho Seth. Em meados de novembro de 1929, teve uma grave ataque cardíaco, que se repetiu ainda algumas vezes nas semanas que se seguiam. Embora estivesse fraco, ainda assim participou nesses dias de diversas reuniões e conferências bíblicas servindo com a Palavra. No dia 22 de fevereiro de 1930 dormiu tranqüilamente no Senhor, a quem servira tanto tempo e a quem se apegara com tanto amor.

De seus estudos sobre assuntos bíblicos vale a pena mencionar o seu livro sobre o tabernáculo ("Lectures on the Tabernacle"), sobre os livros de Juízes e Rute, sobre o Rei Saul, Jó e a Pessoa e a Obra do Espírito Santo, sobre a Igreja e sua Ordem Segundo a Escritura. Esses livros de Samuel Ridout, na América do Norte têm sido sempre reeditados até hoje e serviram de bênção a muitos crentes.


Julius Anton Eugen von Poseck

 
Julius Anton Eugen von Poseck
(1816 - 1896)

Julius Anton Eugen von Poseck procede de uma família nobre da Saxônia, que parcialmente havia se tornado católica no século 18. O pai dele, porém, era casado com uma mulher protestante da Pomerânia. Dessa forma, todos os seis filhos foram batizados da maneira evangélica luterana; também Julius Anton von Poseck, que nasceu em 2 de setembro de 1816 em Zirkwitz (Pomerânia). No ano seguinte, os pais dele se mudaram para a Westfâlia. Ao contrário de seus irmãos e irmãs, Julius Anton foi educado na fé católica — talvez porque o pai dele desejava, que seu filho se tornasse sacerdote seguindo uma antiga tradição da família.

Depois de ter cursado o ginásio em Duisburg, a partir de 1836 Julius Anton von Poseck se dedicou ao estudo de teologia católica em Münster, porém parou e iniciou em 1838 a faculdade de direito em Berlim, continuando esses estudos mais tarde em Bonn. Enquanto estudante em Bonn, Julius Anton von Poseck estava entre os espectadores das festividades por ocasião do 600° aniversário da Catedral da Sé de Colônia aguardando ansiosamente pela grande procissão. Por alguma razão ele deixou a sua excelente posição, que foi tomada imediatamente por uma jovem (conforme um outro relato foi um jovem). Logo em seguida, despencou uma grande pedra da fachada da catedral, matando a menina (ou o rapaz). Julius Anton von Poseck foi tão abalado por esse acontecimento, que foi imediatamente para casa, caiu de joelhos e exclamou: "Ó Deus, por que eu fui poupado? Por que uma outra pessoa havia de morrer?" Essa experiência levou à conversão dele. A sua irmã, de fé evangélica luterana, convidou-o a ouvir as pregações do pastor luterano Krafft em Düsseldorf, onde a família morava naquela época. Por meio dessas pregações, pouco tempo depois, alcançou a plena segurança da salvação.

No ano de 1843, ele conseguiu uma colocação como candidato a um cargo administrativo no governo estadual em Düsseldorf. Foi ali que ele teve algum contato com os escritos de John Nelson Darby e com alguns cristãos que se encontravam para o estudo da Bíblia. No ano de 1846 encontrou o suíço Heinrich Thorens e no ano 1848 o irmão mais velho de John Nelson Darby, William Darby, morando com esse até na mesma casa. Esses irmãos desenvolviam bastante entusiasmo na difusão da Palavra de Deus e dos escritos de John Nelson Darby. J. A. von Poseck apreendeu as verdades contidas neles com grande alegria, renunciou ao seu cargo (então estava trabalhando numa editora de um jornal) e se dedicou integralmente ao serviço do Senhor. Juntamente com William Darby realizou reuniões em Benrath, Hilden, Haan, Ohligs, Rheydt e Kettwig. Nessas reuniões se oferecia os escritos de John Nelson Darby gratuitamente para distribuição — "tanto quanto podia-se levar nos bolsos". J. A. von Poseck pessoalmente havia traduzido parte desses escritos e assim colocou a base de sua futura atividade de escritor. Já no ano de 1849, a editora E. Schulte de Düsseldorf publicou, entre outras coisas, os seguintes escritos: "Preleções sobre o Profeta Daniel" traduzido a partir do francês, "Os Ofícios do Novo Testamento — o seu Caráter, Fonte, Poder e Responsabilidade" traduzido do inglês, "Uma breve Análise do Apocalipse" e, no ano de 1850: "O Mundo e a Igreja" de J. N. Darby, "Pensamentos sobre o Apostolado de Paulo", "A Personalidade do Consolador" e "Sobre os Sofrimentos de Cristo" de J. N. Darby. A partir de 1853, boa parte desses escritos foram impressos no "Mensageiro da Salvação em Cristo". J. A. von Poseck começou na primavera de 1852 a tradução dos volumes da "Sinopse" de J. N. Darby sobre o Novo Testamento e os publicou sob o título "Estudos sobre a Palavra de Deus" por conta própria. A partir de 1855, a editora Carl Brockhaus de Elberfeld os publicou. No ano 1853, quando J. A. von Poseck já havia conhecido Carl Brockhaus, ele também criou um pequeno hinário, cujo alvo era suprir a necessidade de ter hinos mais adequados para a adoração. Inicialmente continha somente 16 hinos. Já a segunda edição de 1856, editado por ele mesmo em Hilden, continha o bem conhecido hino de sua autoria (número 78 do hinário "Pequena Coletânia de Hinos Espirituais"; número 26 do hinário português "Hinos Espirituais"):

A minha alma no Cordeiro
pode agora descansar! Todos, todos meus pecados
o Seu sangue dissipou.
O que ocasionou Julius Anton von Poseck a escrever esse hino foi algo estranho que lhe ocorreu quando numa visita à igreja do convento de Essen-Werder no início da década dos anos 50, quando viu uma escultura de um cordeiro no alto da torre. A explicação que lhe foi dada era a seguinte: Há muitos anos, um telhadista estava consertando o telhado da torre, quando, de repente, o gancho em que a sua escada estava fixa, quebrou. Caiu daquela altura, porém, como por um milagre, caiu bem em cima de uma pequena ovelha que estava pastando no pé da torre. Ela foi esmagada pelo peso do homem caído em cima dela, mas ele permaneceu vivo. Cheio de gratidão pela proteção, ele deixou fazer uma escultura de pedra daquele cordeiro e colocar na parede da torre. — Outros hinos da autoria de J. A. von Poseck são os números seguintes da "Pequena Coletânia de Hinos Espirituais": 36, 56, 92, 101, 105, 110 e 117, enquanto alguns outros hinos dele foram inseridos com algumas modificações textuais. Os hinos 67 e 98 da autoria de John Nelson Darby foram traduzidos por ele ao alemão.

No ano de 1854 mudou-se para Barmen, onde iniciou a tradução do Novo Testamento em conjunto com Carl Brockhaus e J. N. Darby. Foi desse trabalho que se originou a chamada "Bíblia de Elberfeld". O cargo principal desse trabalho pesava inicialmente sobre J. A. von Poseck. A semelhança de J. N. Darby, também ele havia aprendido os idiomas antigos e assim podia passar as propostas de tradução de J. N. Darby para um alemão mais fluente.

No ano de 1856, J. A. von Poseck se mudou para Hilden e em 1857 de lá para a Inglaterra, onde se casou com uma inglesa ainda no mesmo ano. A filha única deles, Helen, trabalhou durante muitos anos como missionária na China.

Na Inglaterra, J. A. von Poseck trabalhou como professor de línguas, dedicou, porém, a sua força e o seu tempo principalmente à obra do Senhor e era um confidente íntimo de J. N. Darby. Diversas obras testemunham das suas atividades, por exemplo "Green Pastures and Still Water" ("Pastos Verdejantes e Águas Tranqüilas") e "Light in our Dwellings" ("Luz em nossas Habitações", um estudo sobre a epístola aos Efésios, capítulos 5:21 a 6:9). Durante o tempo que se seguia, J. A. von Poseck manteve constantemente vivas as suas ligações com os seus irmãos na Alemanha. Nas dificuldades dos anos 1881/1882, tentou auxiliar aos seus irmãos com inteligência espiritual por meio do escrito "Cristo ou Park-Street" ("Park-Street" = endereço de um salão de reuniões em Londres). A partir de Londres, mais tarde, publicou a revista mensal "Palavras de Verdade em Amor" e visitou por diversas vezes os amigos que lhe ainda restavam na Alemanha.

No dia 6 de julho de 1896 ele foi chamado ao lar em Lewisham perto de Londres, poucos meses depois de sua esposa. Uma das últimas coisas que expressou ainda antes de sua falecimento era: "Senhor, Tu estás pronto para mim e eu estou pronto para Ti. Louvado seja o Senhor!".

Georg Müller


Georg Müller(1805-1898)
O bem conhecido "Pai dos Órfãos de Bristol" nasceu no dia 27 de setembro de 1805 em Kroppenstedt perto de Halberstadt. O seu pai mimou a ele e o irmão dele de tal forma que Georg se tornou um mentiroso, caloteiro e até mesmo beberrão, e isso já no tempo de sua meninice. Depois de ter vivido na sua juventude totalmente sem Deus e no caos, ele havia de estudar teologia protestante conforme a vontade de seu pai. Durante os seus estudos em Halle / Saale, ele tinha o seu primeiro encontro profundo com a misericórdia de Deus em uma reunião caseira de crentes, para qual foi convidado por um amigo de estudos. A sua vida, então, mudou de uma vez; agora orava muito, lia a Palavra de Deus e amava aos discípulos de Jesus dos quais antes escarnecia.

Logo despertou nesse recém nascido de novo o desejo de servir ao Senhor no campo missionário. Porém, haviam de passar ainda alguns anos, antes que chegasse, na primavera de 1829, a Londres por meio do Professor Tholuck, para ali ser instruído na "Sociedade para a Missão Judaica". Durante uma estadia para lazer na cidade de Teignmouth, ele chegou a conhecer Henry Craik, que durante muitos anos havia de ser o seu amigo e colaborador. Tanto Henry Craik como Georg Müller tinham Anthony Norris Groves em alta estima. O entendimento desse o fortaleciam no propósito de sujeitar completamente as circunstâncias de sua vida à vontade de Deus. Por isso, algum tempo depois de sua volta a Londres, Georg Müller expressou o seu desejo de trabalhar sem salário regular diante daquela sociedade missionária — e isso quando e onde o Senhor lho mostraria. Recebeu uma resposta negativa, porém gentil e assim, no final do ano de 1829, ele desatou os seus laços. No início do ano de 1830 ele estava outra vez em Teignmouth e decidiu ficar ali na condição de pregador de uma pequena comunidade batista. No verão desse ano, por meio do estudo da Palavra de Deus, ele chegou a convicção, que seria em conformidade com as Escrituras partir o pão a cada primeiro dia da semana, e conceder a todos os irmãos a possibilidade de usarem os dons dados por Cristo no ministério da Palavra. Quando chegou a completar 25 anos de idade, decidiu de nunca mais aceitar uma salário fixo, mas de confiar somente no cuidado de Deus. Numa congregação de 18 membros, isso não era uma decisão fácil.

No dia 7 de outubro de 1830, Georg Müller se casou com Mary Groves, irmã de Anthony Norris Groves. Durante 40 anos, ela se tornou a sua fiel acompanhante no seu caminho.

No mês de abril do ano de 1832, Henry Craik convidou a Georg Müller de vir a Bristol e ajudá-lo ali no trabalho do evangelho. Georg Müller foi, e juntamente os dois voltaram a Teignmouth, para examinar com calma diante do Senhor, para onde iria o seu futuro caminho. Depois de muitas orações e um exame aprofundado diante do Senhor, ambos deixaram Teignmouth para sempre e mudaram-se para Bristol em maio de 1832. Ali, Henry Craik assumiu o ministério na capela "Gideão" e Georg Müller na maior, porém vazia capela "Bethesda". Ali esforçaram-se a praticar a verdade reconhecida. Quando no dia 13 de agosto de 1832, à noite, Müller, Craik, um outro irmão e mais 4 irmãs haviam se reunido de maneira simples, Georg Müller escreveu em seu diário, que isso aconteceu "sem estatuto algum, somente com o desejo de agir conforme agradaria ao Senhor, dar-nos luz por meio de Sua Palavra".

Embora essa comunidade mantivesse ainda algumas características eclesiásticas, ainda assim aprovava os princípios já realizados por irmãos em outras localidades. Em primeiro lugar estavam a autoridade da Palavra de Deus e a separação do mundo. A cada domingo partiram o pão e por ocasião da pregação da Palavra, todos se colocaram sob a direção do Espírito Santo, embora Georg Müller e Henry Craik estivessem conhecidos como líderes espirituais e pregadores da pequena assembléia. Ambos, porém, não eram pregadores empregados e não recebiam salário fixo. No mês de outubro de 1832, John Nelson Darby fazia ali uma primeira visita. Ele se refere a ela numa carta que data do dia 15 de outubro: "Pregamos em ambas as capelas. O Senhor está operando ali uma obra notável e, assim espero, os nossos amados irmãos M. e C. serão ricamente abençoados ali. Desejaria apenas que o princípio da comunhão aberta fosse mais observado".*

Naqueles anos, o trabalho em Bristol foi ricamente abençoado. O pequeno grupo de salvos cresceu em pouco tempo tão rapidamente, que as duas assembléias, unidas no ano 1837, se compuseram de 668 pessoas no ano 1844.

O estado social deplorável em Bristol deu muito trabalho a Georg Müller. Embora possuísse apenas poucos recursos e não tivesse alguma renda regular, deu tudo que tinha aos pobres. Em 1833, começou a ir de manhã cedo às ruas, para chamar a si crianças pobres. A todos deu um pedaço de pão e as instruiu em seguida, durante mais ou menos uma hora, na Bíblia e na leitura. Mais tarde, fazia o mesmo com adultos.

No ano 1834 fundou, juntamente com Henry Craik, a "Instituição para a Propagação do Conhecimento das Escrituras na Inglaterra e no Exterior", cuja finalidade era a fundação de escolas cristãs, a divulgação das Sagradas Escrituras e o apoio à missão com base na fé. Essas obras só deviam ter funcionários salvos e não devia-se receber dinheiro da parte de incrédulos nem fazer empréstimos. Sem capital inicial algum, essa obra foi iniciada pela fé. Porém, no início do ano de 1835, a instituição já estava com cinco escolas funcionando.

No final do ano 1835, Georg Müller decidiu fundar um orfanato conforme o modelo dos orfanatos de Francke em Halle. Já no abril de 1836 estava em condições de receber os primeiros órfãos. Assim se iniciou o "milagre de Bristol", que se expandiu tanto ao ponto de se tornar um enorme empreendimento com 2.000 crianças em cinco grandes casas. Desde o início, Georg Müller tomou por princípio duas coisas: 1 — Nunca pediria ajuda a homem algum, mas somente a seu Deus e Pai. 2 — Nunca comunicaria a uma pessoa externa a sua atual situação financeira, independente de que grandeza fosse a necessidade. Era o seu propósito de não apenas ajudar aos órfãos, mas também fortalecer a fé dos filhos de Deus e mostrar aos incrédulos que Deus até mesmo hoje ainda ouve orações. A fé de Georg Müller foi ricamente recompensada. Logo entraram tantas doações que rapidamente podia construir uma segunda e um ano mais tarde uma terceira casa. Nunca precisou de desviar de seus princípios, nem ele nem os seus colaboradores, embora a necessidade anual de dinheiro fosse finalmente 30.000,00 libras esterlinas! Deus, a Quem só comunicaram as suas necessidades, nunca os abandonou. As experiências de fé feitas por Georg Müller durante os 65 anos, em que podia se ocupar com essa obra, enchem livros inteiros.

Havia as pessoas que pouco compreensíveis inquiriam a Georg Müller quanto as suas orações maravilhosamente atendidas. Ele lhes mostrava cinco pontos de como se aproximar de Deus:

1    — Confiança plena na obra e mediação do Senhor Jesus como base de nossa
           aproximação a Deus.
2    — Separação de qualquer pecado consciente.
3    — Fé na palavra da promessa de Deus.
4    — Pedir conforme a Sua vontade, i.e. tendo motivos espirituais e não para
           consumirmos aquilo que pedimos em nossas concupiscências.
5    — Persistir na oração, no esperar e na perseverança.

Georg Müller tinha uma visão clara para a interligação entre a oração e uma vida em santidade e se esforçava sempre de novo a demonstrar esse importante princípio tanto em palavra como por escrito.

Parece que Georg Müller fez diversas visitas no continente e também na Alemanha por volta do ano de 1840. Mais ou menos em 1841, uma senhora alemã procedente do estado de Württemberg o visitou. Ele lhe deu os primeiros dois volumes de seu diário já impresso em inglês. A leitura desses volumes se tornou no impulso de sua conversão e ela tinha o desejo de traduzi-los para o alemão. Em Stuttgart, ela encontrou uma pequena congregação batista, onde foi batizada e recebida como membro. Em maio de 1843, ela convidou Georg Müller para uma visita a Stuttgart. Depois de o Senhor ter resolvido também o lado financeiro dessa viagem por meio de uma doação generosa, Georg Müller e sua esposa foram à Alemanha no mês de agosto de 1843 e ali ficou até março do ano conseguinte. Imediatamente recebeu a oportunidade da parte da congregação batista de Stuttgart de pregar tanto aos domingos como em todos os dias da semana. O seu ministério doutrinário, porém, não foi bem recebido por todos os membros daquela congregação. Quando no dia 3 de setembro chegou outra vez a ocasião de se celebrar a Ceia do Senhor, um grupo liderado pelo presbítero Schauffler pensava que Georg Müller não podia participar da Ceia enquanto um outro grupo desejava ter comunhão com ele. Embora Georg Müller tentasse sinceramente evitar um cisma da congregação por causa dessa questão, uma divisão foi inevitável. Na noite desse mesmo dia, 17 pessoas celebraram a Ceia do Senhor numa residência particular, entre elas dois irmãos suíços, dos quais Georg Müller escreveu que conheceram o caminho da verdade por meio de nosso irmãos John Nelson Darby. Assim surgiu no sul da Alemanha um ajuntamento na condição de Igreja com base bíblica por meio dessa divisão. Georg Müller justificava a divisão dizendo que aquela congregação batista seguia princípios sectários por ligar o batismo ao novo nascimento e por recusar comunhão com todos os salvos que tivessem recebido "o batismo da fé".

Georg Müller se dedicou, então, completamente ao serviço no meio desse pequeno grupo. Foi difícil para eles, acostumados como eram como o ofício do pregador, se submeter a livre operação do Espírito Santo, Que faz uso de quem Ele quer. A cada domingo se partiu o pão. No fim de sua estadia, a congregação havia crescido para 25 pessoas. Nesse meio tempo, Georg Müller distribuiu folhetos e falava com as pessoas que encontrava. Também completou e publicou a tradução de sua monografia. No ano 1845, ele visitou mais uma vez a congregação em Stuttgart, porque ouvira que teriam surgido doutrinas falsas entre eles.

O trabalho dos orfanatos, enquanto isso, fazia constante progresso. No ano 1849, as quatro casas até então alugadas foram deixadas e se mudou para uma casa própria em Ashley Down. Durante esse tempo, receberam 275 crianças. No dia 12 de novembro de 1857 abriu-se a segunda casa para mais 400 órfãos. A terceira casa abriu as portas no dia 12 de março de 1862. Então, no horizonte da fé de Georg Müller já se via as casas números 4 e 5 surgirem que realmente puderam ser abertas em 5 de novembro de 1868 e 6 de janeiro de 1870. Os orfanatos, agora, ofereceram abrigo para 2.000 órfãos e para todos os auxiliares e professores.

Em janeiro de 1866 faleceu Henry Craik, colaborador de Georg Müller durante 34 anos. Então, no dia 6 de fevereiro de 1870, faleceu também a sua amada esposa. Mais ou menos um ano e meio depois, a sua filha Lydia casou-se com o seu colaborador James Wright, que também se tornou o sucessor de Georg Müller no trabalho com os órfãos. O próprio Georg Müller, pouco depois, casou-se pela segunda vez, a saber com Susanne Grace Sanger já conhecida por ele há 25 anos como uma mulher temente a Deus.

Na velhice, Georg Müller ainda começou a viajar bastante. As suas viagens missionárias preencheram a tarde de sua vida nos anos 1875 a 1892. As viagens o levaram à Europa, Ásia, América, África e Austrália. Durante essas viagens teve a oportunidade de trazer o claro e simples evangelho a muitas almas, a conduzir recém-convertidos à segurança da salvação e instruí-las no uso correto das Sagradas Escrituras. Também podia apresentar às almas o verdadeiro amor fraternal, genuína fé e a esperança da volta do Senhor bem como a separação do mundo.

A força de sua vida abençoada estava na sua simples fé em Deus e em Sua Palavra. Ele amava essa Palavra e não a lia apenas em certas circunstâncias, mas em toda e qualquer oportunidade que se lhe oferecia. Ele agiu em conformidade com ela e sempre a achou confirmada em toda a sua longa vida. As doações que entraram durante a sua vida como respostas às suas orações a favor do trabalho com os órfãos, chegaram a somar bem mais do que um milhão de libras esterlina. Além disso, recebeu quase 400.000,00 libras de doações para a distribuição de Bíblias e folhetos bem como para o sustento de sua obra missionária.

Costumava dizer muitas vezes: "Sou um homem feliz". Ele se considerava um pecador merecedor do inferno, mas que chegou a conhecer o Senhor Jesus como o "seu Salvador digno de ser adorado". No último domingo de sua vida estava intimamente ocupado com a alegria de vê-Lo em Sua beleza e de adorá-Lo em perfeição.

Cedo de manhã, no dia 10 de março de 1898, Georg Müller foi, repentinamente, chamado para o lar eterno. Ainda no dia anterior estivera ocupado e, à noite, participara, como de costume, da reunião de oração. A sua morte foi inesperada e sem dores, como em "uma instante". Quando se abriu o seu testamento, foi verificado que toda a sua fortuna se constituía em 60,00 libras mais o mobiliário de seu apartamento.

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*Alguns anos mais tarde, o contrário era o caso. No ano de 1848, a congregação de Bethesda, debaixo da liderança de Georg Müller e Henry Craik, se tornou o motivo conhecido e triste de uma divisão entre os irmãos, porque ali não reconheciam que "por ensinar heresias em Plymouth ou em outro lugar, nós como congregação somos obrigados a examiná-las" (extraído da comumente chamada "Carta dos Dez", em que a assembléia em Bristol expôs os seus princípios". — Mais detalhes podem ser obtidos por meio do livro "Os irmãos (como são chamados)", por Andrew Miller e publicado pela editora DLC - Depósito de Literatura Cristã, Diadema / SP.

Andrew Miller

 
Andrew Miller
(1810-1883)

Andrew Miller era natural do vilarejo de Kilmaurs, Ayrshire (Escócia) onde nasceu em 27 de janeiro de 1810. Ainda jovem, ele entrou na empresa Smith, Anderson & Co. em Glasgow, cuja filial em Londres ele veio a gerenciar. Mais tarde, essa empresa trocou de nome para Miller, Son & Torrance. O seu filho, Thomas B. Miller, igualmente um servo do Senhor, o seguiu na liderança dessa empresa.
 
Ainda durante o seu tempo na diretoria de sua grande empresa, ele chegou a ser por um bom tempo pregador leigo em uma comunidade batista escocesa em Londres. Foi ele quem deixou construir a capela. Quando estava em Londres, pregava nessa sua capela, porém a metade de seu tempo estava ocupado em ajudar em ações evangelísticas em várias regiões do país.
 
Conforme um relato do próprio Andrew Miller, nessa época ele foi convidado por um cristão de assistir uma reunião de estudo bíblico, que acontecia semanalmente na casa desse irmão. Ele aceitou o convite, mas, por ser esse tipo de reunião completamente desconhecido por ele, foi vestido de smoking. Descobriu, então, assustando que foi ele o único visitante vestido dessa forma! Inicialmente, todos foram à sala de jantar, e em seguida aconteceu o estudo da Palavra na sala de estar. Depois da oração, leu-se, com toda a reverência, uma passagem das Sagradas Escrituras e seguiu uma conversa bastante cativante, em cujo decorrer se explicava as verdades da Bíblia.
 
Andrew Miller descobriu, que todas essas verdades ainda lhe eram completamente desconhecidas; esqueceu a sua vestimenta fora do normal e decidiu de visitar também o próximo estudo, caso o anfitrião o convidasse outra vez. Assim aconteceu, e enquanto freqüentava semana após semana esses estudos, aprendeu mais e mais da maravilhosa verdade de Deus, dos Seus desígnios e dos Seus amor e graça na redenção.
 
Assim chegou ao ponto que certo domingo nos anos 1852 ou 1853 declarou à sua comunidade, que não podia mais continuar a ser o pregador deles. A partir da semana seguinte, ele queria se reunir exclusivamente com aqueles que reconheciam e desejavam praticar os princípios bíblicos com respeito a se reunir no Nome do Senhor Jesus. A maior parte de sua comunidade voltou no próximo domingo, para se reunir desde então em separação do mal na base da unidade do Corpo de Cristo. A partir dessa época, Andrew Miller começou a ocupar um lugar cada vez mais estimado entre os irmãos com os quais agora era um.
 
Ele era um evangelista com um coração cheio de amor aos perdidos e para muitas almas idosas e jovens se tornou a ferramenta da conversão delas. Raras vezes anunciou o evangelho sem que lágrimas corressem por seu rosto, enquanto falava do amor do Senhor Jesus , tentando despertar as consciências de seus ouvintes. Foi bastante desgostoso para ele ver, quão pouco interesse pelo evangelho havia nas igrejas locais que visitava.
 
Por outro lado, Andrew Miller, na sua condição de orador altamente dotado, também conseguia prender os seus ouvintes crentes de tal forma, que eram capazes de ouvir as suas pregações por um espaço de tempo extremamente prolongado sem que cansassem. Por isso ele foi chamado por muitos de "o pregador mais dotado entre os irmãos mais antigos".

Andrew Miller era amigo de C. H. Mackintosh e em conjunto com esse irmão publicou, a partir do ano 1858, durante muitos anos a revista mensal "Things New and Old" ("Coisas Novas e Velhas"). Nessas revistas, quer serviam de bênção para muitos, a verdade para os crentes foi explicada e exposta de maneira simples e clara, e ao mesmo tempo também de maneira minuciosa e carinhosa. Era também Andrew Miller que encorajou C. H. Mackintosh a escrever as suas "Notas sobre o Pentateuco" (editado em português pela editora, "DLC — Depósito de Literatura Cristã", www.literaturacrista.com.br). Ele mesmo escreveu um prefácio a essa obra e financiou em grande parte a impressão.
 
A mais conhecida obra de Andrew Miller é provavelmente a "História da Igreja", já traduzido para o alemão em 1888 e cuja tradução para a língua portuguesa está em andamento por meio da editora "DLC — Depósito de Literatura Cristã". Igualmente escreveu uma breve panorâmica sobre a origem, e desenvolvimento e o testemunho dos cristãos geralmente denominados de "Irmãos" (editado em português pela editora "DLC — Depósito de Literatura Cristã" em 2005). Também são conhecidos os seus estudos sobre o Cântico dos Cânticos e sobre os salmos 23 e 84.
 
Andrew Miller também era amigo de John Nelson Darby. Quando esse último estava já em seu leito de morte, Andrew Miller estava seriamente doente e se encontrava em Bournemouth. Diariamente John Nelson Darby se informou do bem-estar de Andrew Miller. Aproximadamente um ano mais tarde, no dia 8 de maio de 1883, também Andrew Miller entrou no lar, para estar com o seu Senhor. Havia trabalhado muito para Ele e, antes de seu fim, ainda sofreu muito. Quando, no final de sua vida, relembrou o passado, contemplou o presente e viu o futuro diante de si, exclamou com bastante ênfase da profundeza de sua alma: "Não há nada que conte senão Cristo somente!"


Charles Henry Mackintosh

 
Charles Henry Mackintosh
(1820-1896)

Charles Henry Mackintosh, cujos iniciais "C.H.M." são bem conhecidos por muitos cristãos no mundo inteiro, nasceu em outubro de 1820 em Glenmalure Barracks no condado de Wicklow, Irlanda. O seu pai era capitão e servira no "Highlanders' Regiment" na Irlanda. A sua mãe era a filha de Lady Weldon e procedia de uma antiga família natural da Irlanda. A idade de 18 anos, o jovem experimentou um despertamento espiritual mediante cartas escritas por sua irmã após a conversão dela. Recebeu a paz por meio da leitura do escrito de John Nelson Darby "As operações do Espírito Santo". Se tornou especialmente importante para ele o fato de que a base da paz com Deus não é a obra de Cristo em nós, mas para nós.

Enquanto jovem cristão, aceitou emprego uma loja em Limerick. Lia muito na Palavra de Deus e se ocupou assiduamente com diversos estudos. No ano de 1844, abriu uma escola particular em Westport e, com grande zelo, se ocupou do trabalho educativo. A sua postura espiritual foi caracterizada pelo desejo de dar a Cristo o primeiro lugar em sua vida, sem limitação alguma, e de considerar a obra dEle como a coisa principal. Quando, porém, notou em 1853 que o trabalho na escola o ocupou de tal forma que temia ele se tornar em seu interesse principal, desistiu desse serviço. Na seqüência, foi a Dublin onde entrou em contato com John Gifford Bellet e outros irmãos. Na época começou a anunciar a Palavra de Deus publicamente tanto a crentes como a incrédulos.

Nessa época já começara a escrever os seus pensamentos sobre os cinco livros de Moisés — o Pentateuco. Nos próximos anos, subseqüentemente, apareceram estudos sobre todos os cinco livros do Pentateuco. Esses livros, caracterizados por um espírito fortemente evangelístico, passaram a ser publicados em altas tiragens nos anos seguintes. O seu amigo Andrew Miller escreveu para esses volumes um prefácio, onde diz com toda a razão: "A total perversão do ser humano por meio do pecado e a perfeita salvação de Deus em Cristo são apresentadas pormenorizada, clara e precisamente".

Como interpretador C. H. Mackintosh possuía um estilo de fácil compreensão. Sabia expressar os seus pensamentos poderosamente. Algumas de suas interpretações talvez, à primeira vista, tenham aparecido estranhas a muitos salvos, porém foram de grande ajuda a muitos leitores até hoje, por causa de sua fidelidade à Palavra de Deus e confiança em Cristo.

Além de seu ministério de escritor, também anunciara e defendera há muitos anos o evangelho e a verdade cristã, e Deus claramente reconhecia o seu serviço. Quando a Irlanda experimentou um grande movimento de despertamento nos anos 1859 a 1860, também ele estava presente na ativa. Os primeiros volumes anuais de sua revista "Things New and Old" ("Coisas Novas e Velhas") contêm muitos testemunhos dessa atividade. C. H. Mackintosh iniciara essa revista mensal em 1858 em conjunto com o seu amigo Andrew Miller. Durante décadas era uma fonte de ensino e edificação para crentes. Alguns dos artigos contidos nela foram traduzidos e publicados no "Botschafter des Heils in Christo" ("Mensageiro da Salvação em Cristo" — revista alemã). No ano de 1880, C. H. Mackintosh passou a sua atividade de editor da revista "Things New and Old" para Charles Stanley, que foi colaborador até o ano 1890.

C. H. Mackintosh era um grande homem de fé sempre pronto para testemunhar que Deus o levava muitas vezes a provas, porém nunca o deixou passar necessidade, enquanto estava Lhe servindo no serviço do evangelho sem alguma renda de trabalho material.

É difícil avaliar as conseqüências de seus escritos. Cartas de todos os lugares do mundo chegaram até ele, expressando gratidão e reconhecimento de suas explicações sobre o Pentateuco. Dwight L. Moody e C. H. Spurgeon confessaram que deviam muitas coisas aos escritos de C. H. Mackintosh. Moody escreveu: "C. H. Mackintosh tinha a maior influência sobre mim".

Assim como "As notas sobre o Pentateuco", também os seis volumes "Miscellaneous Writings" ("Escritos Mistos"), sempre têm sido reeditados. É um fato interessante na vida de C. H. Mackintosh, que o seu primeiro escrito portava o título "A Paz de Deus" e que poucos meses antes de seu falecimento enviou um manuscrito ao seu editor com o título "O Deus da Paz".

Os últimos quatro anos de sua vida, passava em Cheltenham, de onde continuava o seu ministério escrito mesmo tendo que parar com o seu ministério de pregação oral devido à idade. Em 2 de novembro de 1896 partiu em paz para estar com o Seu Senhor. Quatro dias depois, ele foi sepultado ao lado de sua querida esposa com participação de muitos. Dr Walter T. P. Wolston de Edinburgh falou, baseado em Gênesis 25:8-10 e Hebreus 8:10, sobre o sepultamento de Abraão. Para finalizar, os reunidos cantaram o belo hino da autoria de John Nelson Darby:

"O bright and blessed scenes, 
Where sin can never come; 
Whose sight our longing spirits weans 
From earth where yet we roam."

A tradução literal é:

"Ó cenas brilhantes e abençoadas,
Em que pecado nunca pode entrar;
Cuja visão os nossos espíritos desejosos 
afasta dessa terra, 
pela qual ainda estamos viajando."

Os livros de C. H. Mackintosh:

Coleção de Estudos sobre o Pentateuco
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio vol. 1 e 2
Está Difícil
A Unidade do Povo de Deus
A Ceia do Senhor
A Vinda do Senhor



 
 

William Joseph Lowe

 
William Joseph Lowe
(1838 - 1927)

William Joseph Lowe nasceu em 1838 como filho de pais tementes a Deus que pertenciam a igreja inglesa oficial do estado (Igreja Anglicana). Já enquanto ainda criança se manifestaram os grandes talentos que o caracterizavam mais tarde como adulto. Durante o seu tempo de escola, três de seus professores eram irmãos bastante conhecidos: James George Deck, poeta apreciado (dele é o hino 137 na "Pequena Coletânia de Hinos Espirituais",   hino   19   do   hinário   português   "Hinos Espirituais"), que mais tarde emigrou para Nova Zelândia; havia William Hake, um amigo de Robert Cleaver Chapman de Barnstaple; e finalmente havia nos seus últimos anos escolares Henry Soltau, de quem recebeu diversos ensinos bíblicos. No colégio de Ealing recebeu uma condecoração de alto nível; ganhou a medalha de prata por causa de seus conhecimentos em grego, latim, francês, alemão, geometria e álgebra.

Chegou a crer no Senhor Jesus como adolescente e foi recebido na comunhão à Mesa do Senhor. Depois de seus anos de escola, cursou ciências de engenharia em Londres. No ano de 1859 conseguiu uma boa colocação em Madras na Índia na área da construção de instalações de irrigação. Na condição de um jovem de 23 anos teve que supervisionar milhares de operários. Já ali manifestou o seu grande amor ao povo de Deus pelo fato de ter editado ali durante a sua curta estadia uma revista de edificação para crentes. Dessa ainda existem três volumes.

A sua saúde, porém, não suportava bem o clima tropical. Baseado em conselho médico, tinha que renunciar à sua colocação e voltar à Europa. Em 1864, William J. Lowe foi à Suíça, para se recuperar e melhorar os seus conhecimentos do francês. Ele pensava em eventualmente servir ao Senhor em meio da população de fala francesa de Québec no Canadá.

Durante esse período, John Nelson Darby estava na França, para, junto com alguns irmãos, traduzir a Bíblia ao francês na cidade de Pau. Algumas impressões destinadas à correção, por uma caso, pararam nas mãos de William J. Lowe e ele as verificou. Viu ali algumas insuficiências e fez algumas propostas valiosas de melhora. J. N. Darby se surpreendeu com elas e foi impressionado de tal forma que lhe disse: "O senhor é exatamente a pessoa da qual temos necessidade aqui; o senhor deve ficar agora e nos ajudar". Assim se iniciou uma amizade e comunhão no serviço com J. N. Darby que permaneceu até o falecimento desse em 1882. Mais tarde, Darby muitas vezes disse que não conhecia a ninguém que tivesse um tal conhecimento geral e ao mesmo tempo de todos os detalhes da verdade como W. J. Lowe.

Naqueles dias, W. J. Lowe era conhecido melhor nas conferências no exterior do que na Inglaterra, porque estava quase ininterruptamente de viagem. Conhecia assembléias na Bélgica, França, Alemanha, nos Países Baixos, na Espanha e na Suíça; algumas delas eram fruto do próprio trabalho dele. Também visitou por diversas vezes os Estados Unidos e o Canadá. Via sua tarefa principal no ministério da Palavra. Por isso se dá que hoje possuímos apenas poucos testemunhos de seu ministério escrito. Contudo, em 1873 fundou a revista mensal em francês "Le Salut de Dieu" ("A Salvação de Deus"). Para essa revista escreveu alguns artigos até que foi assumida por Dr. Elie Périer.

No dia 15 de setembro de 1885 ele se casou com Ellen McAdam, já numa idade bastante madura. Ele tinha um relacionamento de amizade com o pai dela, Christopher McAdam de Notting Hill. A "lua de mel" os dois passaram em Dillenburg. No caminho para lá, W. J. Lowe visitou algumas igrejas nos Países Baixos e assim chegaram somente no dia 19 de setembro a Dillenburg. Também ali o tempo era repleto de pregações, visitas e reuniões, inclusive uma conferência dos irmãos em Elberfeld durante quatro dias. Depois que faleceu o seu sogro Christopher McAdam, W. J. Lowe assumiu o trabalho dele na vinha de Deus, principalmente a distribuição dos donativos para os trabalhadores na obra do Senhor no exterior e a publicação dos "Letters of Interest" ("Cartas de Interesse"; ou seja comunicações a respeito da obra do Senhor). Essa atividade ele cumpriu durante quase 40 anos. Colocou-o em contato com filhos de Deus no mundo inteiro e requeria bastante correspondência, para a qual era de forma especial preparado; diz-se que falava dez ou onze idiomas.

Sempre o seu interesse especial era voltado para a juventude. Quando visitou J. N. Darby no dia 2 de abril de 1882 em Bornemouth durante a última enfermidade desse, ele escreveu em seu diário: "tarde — J.N.D tomou a minha mão e me puxou para si, para me beijar e me agradeceu de forma bastante cordial pela longa colaboração. Disse: 'Trabalhamos juntos e nos alegramos juntos. Deus te abençoe!'. Então, um minuto mais tarde: 'Ocupa-te com os irmãos mais novos e dirija os corações deles a Cristo'." — Teve uma força especial de atração para os mais jovens por causa de seu caráter sério, porém sociável e comunicativo, embora tivesse o costume de fazer-lhes perguntas pessoais e por vezes — como disseram — "desconfortáveis". Isso ele fez com a única intenção de despertar-lhes o interesse por toda a Palavra de Deus.

W. J. Lowe tomou uma posição firme e clara nas dificuldades sérias quanto às heresias de F. E. Raven por volta de 1890. Lutou contra as doutrinas falsas dele tanto de forma escrita como também em muitas conversas pessoais com Raven e os amigos dele. Também durante as dificuldades em Tunbridge Wells no ano 1909 ele desempenhou um papel fundamental pela sua defesa da verdade. A sua simplicidade e dependência da direção do Senhor se expressou especialmente em questões tocantes as igrejas locais. Ele deu grande valor ao fato de que as consciências de todos os envolvidos em alguma questão fossem alcançadas e tocadas por Deus, e que tivessem consciência de sua responsabilidade pessoal em cada ato da igreja. Não queria que agissem de forma mecânica e acompanhassem a maioria. As palavras "administração" e "organização" lhe eram uma abominação, quando se fez uso das mesmas para regulamentar o comportamento da igreja — seja influenciado por fora ou por dentro. Sabia dar o devido valor a essas expressões quando adequadamente empregadas, mas as temia nas igrejas, porque por elas, conforme a sua opinião, os exercícios pessoais de cada consciência foram desconsiderados e introduzidos métodos humanos de auxílio. Pelo emprego desses conceitos a operação do Espírito Santo é indubitavelmente limitada ou até mesmo extinta, especialmente quando se trata da solução de dificuldades nas igrejas. Segundo a sua percepção o Senhor muitas vezes permite tais dificuldades, para educar os crentes espiritualmente e firmar os corações deles na verdade de um modo que seria impossível de outra maneira.

Nos últimos anos a força mental de W. J. Lowe diminuiu bastante. No dia 29 de setembro de 1927 ele faleceu em Wimbledon.
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